Preconceito Linguístico
Enviada em 31/07/2025
O preconceito linguístico no Brasil descredibiliza as variedades dialetais das classes populares – herança de uma estrutura social que, desde a escravidão, associava a fala do oprimido à inferioridade. À época, os escravizados criavam códigos linguísticos próprios para resistir ao domínio do patrão. Hoje, a norma culta, vinculada à escolarização, repete essa hierarquia ao excluir quem fala “diferente”. Assim, a linguagem tornou-se um mecanismo de manutenção de privilégios, que exclui pobres e negros do acesso a oportunidades.
Segundo Florestan Fernandes em seu trabalho “A Integração do Negro na Sociedade de Classes”, mesmo após um século da abolição da escravidão, os negros continuam segredados. Prova disso, é pesquisa realizada pelo IPOL, onde aponta que a maioria dos brasileiros que já sofreram preconceito linguístico são pretos e pobres. Esse processo de segregação inviabiliza a ascensão dos oprimidos e utiliza como ferramenta o preconceito linguístico.
Ademais, o contexto social onde o indivíduo está inserido faz com que esse adote formas de falar que afirmam sua identidade, como é confirmado na canção “Negro Drama”: “gíria não, dialeto”, dos “Racionais MC’s”. Portanto, remover o desvio da norma culta na fala, é, também, remover a identidade do povo e desconsiderar seus meios.
Dessa forma, é fundamental conscientizar a população acerca da importância das variedades dialetais visando acabar com o preconceito linguístico e possibilitando ascensão social para os indivíduos menos favorecidos. Portanto, é necessário que o MEC crie campanhas de conscientização que valorizem e promovam a variedade linguística brasileira. Tais campanhas devem ser realizadas em escolas, através de palestras com o tema “Falar Diferente Nos Une”, por exemplo, e, também, divulgadas em mídias sociais, onde há grande presença do público-alvo – os jovens. Desse modo, contribuindo para criar um país plural e justo.