Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 30/03/2020

Historicamente, a homossexualidade representou motivo de muita repressão e já foi enquadrada pelo Organização Mundial de Saúde como uma doença mental. Entretanto, apesar das melhorias e dos avanços na obtenção de direitos e espaço na sociedade, os homossexuais ainda enfrentam desafios e preconceitos, como ao serem taxados de grupo de risco e impedidos de doar sangue. Nesse sentido, fatores de ordem cultural e social caracterizam a problemática.

É importante pontuar, de início, a enraizada homofobia permeada na estrutura social e interiorizada pelos indivíduos como uma das principais causas do limitante contexto atual. Com os numerosos casos de morte entre homossexuais na década de 80 por conta da AIDS, doença viral pouco conhecida na época, houve a associação desses indivíduos como grupo de risco. Entretanto, com o avanço da ciência e a difusão dos métodos de preservação, os órgãos de saúde deveriam focar no combate ao chamado “comportamento de risco”, ou seja, a não utilização de preservativos, independentemente da orientação sexual ou do gênero do indivíduo. Dessa forma, ao adotarem, pelo contrário, uma medida discriminante apenas contra homossexuais, fica evidente o preconceito vigente no sistema de saúde.

Outrossim, vale ressaltar o quanto essa medida realizada nos centros de doação é negativa para as possíveis vidas que poderiam ser salvas com a doação e para o próprio doador, que se vê descartado e impotente. Segundo pesquisa do site “aprendaavalorizar.blogspot.com” a cada dois segundos uma pessoa necessita de transplante de sangue no Brasil. Dessa forma, ao impedir um indivíduo, que tem saúde e que adota práticas de preservação, de realizar a doação apenas por conta da orientação sexual, o Estado presta um desserviço para os pacientes necessitados e efetua um retrocesso social. Por fim, essa medida ainda desestimula a doação das pessoas dessa minoria, as quais além de se sentirem ofendidas e desmerecidas, desistem de fornecer a doação.

É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho cultural e social na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo o papel de sancionar uma lei que determine a substituição do critério grupo de risco pelo de comportamento de risco a fim de permitir a doação de sangue de qualquer indivíduo saudável e consciente de medidas de preservação independente da sexualidade. Tal medida pode ser efetivada por meio da apresentação de um projeto de lei pelo poder legislativo ou por pressão da sociedade. Poder-se-á, assim, continuar a combater esse preconceito e possibilitar que a cada dois segundos a necessidade de um paciente seja atendida.