Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 02/10/2019

Parafraseando Albert Einstein, “Triste época, é mais fácil desintegrar um átomo, do que um preconceito”. Ainda no século XXI, uma das faces mais perversas da humanidade é a discriminação contra os homossexuais, pode-se notar isso na hora de doar sangue, pois eles só podem faze-la se estiverem há 12 meses em abstinência sexual. Nesse cenário, cabe analisar, ora o motivo pelo qual essa restrição é um ato de preconceito, ora os impactos negativos que isso gera na saúde populacional. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.

A priori, é imperioso destacar que, o homossexual é considerado um “grupo de risco” segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, isso porque, acredita-se que eles tem mais probabilidade de conter HIV, por exemplo. Por outro lado, essa probabilidade não tem relação direta com a orientação sexual do indivíduo, e sim com o ato de manter relações anais sem proteção, ou seja, a portaria ainda permite pessoas que têm comportamentos de risco doarem. Sob essa perspectiva, mesmo que um uma mulher heterossexual tenha mantido relação com dez homens e o homossexual com dez homens, apenas o primeiro é proibido de doar. Logo, verifica-se que o “Estado democrático de direito” não saiu do plano das ideias, visto que ele não é aplicado de fato.

Outrossim, é lícito postular que, de acordo com dados da revista “Superinteressante”, mais de 18 milhões de litros de sangue são desperdiçados com a restrição da parcela homossexual e bissexual, em virtude de serem negadas de fazer testes e, com isso, de doar. Dessa forma, muitos bancos de sangue sofrem com a escassez de tipos mais raros. Então, esse fato se torna um caso de impacto na saúde pública, pois, além de pessoas que se submetem a procedimentos e intervenções médicas, o sangue também é indispensável para que pacientes com doenças crônicas graves - como Doença Falciforme e Talassemia - possam viver por mais tempo e com mais qualidade, além de ser de vital importância para tratar feridos em situações de emergência ou calamidades. Urge, portanto, a reconfiguração dessa postura governamental.

Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Poder Legislativo, retirar os homossexuais do grupo de risco e permitir que a Anvisa use como critério de seleção apenas a prática sexual de risco e não a orientação sexual ou identidade de gênero, com o fito de que todos de fato sejam iguais perante a lei e que todos possam ter acesso a esse ato de solidariedade. Espera-se, com isso, que a realidade se torne diferente da que Einstein previu décadas atrás.