Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 24/10/2019

No livro “O Inferno Somos Nós”, Leandro Karnal e Monja Coen dialogam sobre como a sociedade atual deve almejar uma “cultura de paz”, ou seja, uma cultura com mais tolerância e menos preconceitos. No entanto, quando o assunto é discriminação sexual, o caminho para alcançar essa cultura de paz, nesse aspecto, está longe de ser concretizado.

Apesar de a homossexualidade estar, atualmente, sendo mais debatida em relação a algumas décadas passadas, o preconceito ainda está enraizado na sociedade, tanto no âmbito familiar e social, como no âmbito da saúde. O fato de homens homossexuais serem impedidos de doar sangue é um grande exemplo disso. A opção sexual de um indivíduo não define seu nível de promiscuidade. Assim, tanto uma pessoa hetero quanto uma homoafetiva podem ser igualmente promíscuas e praticar relações sexuais sem a proteção adequada, estando ambas suscetíveis a contrair doenças sexualmente transmissíveis (como a AIDS).

De acordo com o geógrafo Milton Santos, a força da alienação vem da fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une. O impedimento de homossexuais na doação de sangue ilustra bem esse pensamento alienado, além de afetar pessoas que precisam desse sangue que, muitas vezes, está em falta nos estoques de hospitais.

Em suma, para que essa questão seja resolvida, é preciso que medidas sejam tomadas. Cabe ao Estado, junto ao Ministério da Saúde, realizar campanhas midiáticas sobre os riscos da contração de “DSTs” e como se prevenir, dando ênfase ao fato de que pessoas heterossexuais estão à mercê dos riscos tanto quanto as homossexuais. Assim, o preconceito na doação de sangue poderá ser diminuído. É também imprescindível que o Ministério da Educação inclua na grade curricular das escolas aulas sobre as diferentes opções sexuais, educando os jovens acerca da sexualidade. Assim, a força da alienação ficará menor e a sociedade começará a exercer, cada vez mais, a cultura de paz discutida por Karnal e Coen.