Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 24/04/2020

A antropóloga Ruth Benedict, ao afirmar que “a cultura é a lente pela qual a sociedade enxerga” demonstra que os valores adquiridos no convívio social são bases para a discriminação que a parcela homossexual brasileira enfrenta na doação de sangue. Todavia, tal discriminação configura-se como elemento prejudicial ao avanço da saúde no país, porquanto impede que milhares de litros de sangue sejam doados. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática é sustentada, sobretudo pelo preconceito histórico da sociedade e pelas limitações impostas pela legislação federal.

A priori, comumente, a população associa DSTs e, como Aids e Hepatite, aos homoafetivos, uma vez que, por não haver o risco de engravidar, julga que a maioria não usa preservativos nas relações sexuais, tendo em vista esse estereótipo, assumir uma ideologia preconceituosa como essa parcela torna-se enraizado e frequente à medida em que se reproduz, já que, conforme Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso. Por conseguinte, homossexuais, regularmente, são impedidos de doar sangue, sem que haja testes para detecção de DSTs e, com isso, ajudar a salvar vidas.

Ademais, sob viés sociocultural, observa-se o preconceito diante da doação de sangue feita por homossexuais. Os cidadãos que possuem relações homoafetivas constituem o chamado “grupo de risco”, pois, nos anos 80, houve o auge da epidemia do vírus HIV. nesse sentido, o Brasil exclui a doação de homossexuais que tenham tido relações sexuais até o prazo de 12 meses. Entretanto, a orientação sexual não pode ser critério de seleção, mas sim de condição de saúde, uma vez que a AIDS também é transmitida por heterossexuais. Logo, tal grupo fica à margem de exercer a solidariedade e salvar pessoas.

Diante dos argumentos supracitados, observa-se a necessidade de criação de uma nova lente para a sociedade brasileira enxergar a doação de sangue pelos homossexuais. Portanto, é fundamental que instituições sociais, como ONGs, por meio de publicidades, a exemplo de propagandas televisivas e “outdoors”, promovam a conscientização sobre a importância de doar sangue para a melhoria da saúde do país, com o intuito de fazer com que essa ação seja sempre valorizada, independente da opção sexual do doador,. somando a isso, é papel do governo, por meio de leis, instituir a obrigatoriedade da realização de testes de detecção de DSTs, a fim de que as oportunidades de doação sejam democratizadas, ao passo que a comunidade deve denunciar em casos de descumprimento. Assim, alcançar-se-á um Brasil melhor.