Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 15/04/2020

Segundo a antropóloga Ruth Benedict, a cultura é a lente pela qual a sociedade enxerga. Fora do campo literário, é possível inferir que os valores adquiridos no convívio social, são bases para a discriminação e o preconceito que a população de homossexuais enfrentam na doação de sangue. Nesse contexto, é fulcral compreender como o individualismo e o prejulgamento histórico da sociedade permite a manutenção da problemática.

Em primeiro plano, é importante destacar como a falta de empatia prejudica aqueles que necessitam da doação de sangue. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua sua teoria de “Modernidade líquida”, a sociedade hodierna é marcada pela fragilidade das relações sociais, tendo em vista o individualismo e a falta de empatia. Sob tal ótica, é notório que consoante ao pensamento do estudioso, a existência do preconceito aos homossexuais, faz com que muitos postos de saúde não permita a doação dos mesmos. Em decorrência dessa fragilidade, conforme a Agência Brasil, somente 40%  dos homoafetivos, são autorizados a doar sangue.

Outrossim, questões históricas estão intimamente ligadas ao preconceito homossexual na doação sanguínea. Isso se dá pela herança história da epidemia do HIV, na década de 80 no Estados Unidos, em que os homossexuais eram vistos como causa do surto. Nesse ínterim, a ideologia preconceituosa sustentada na sociedade vigente, faz com que mais pessoas sejam privadas de doar. A exemplo disso, em conformidade com a revista Superinteressante, mais de 18 milhões de litros de sangue são desperdiçados por tal restrição. Por consequência, um maior quantitativo de vidas são perdidas pela falta de sangue.

Dessarte, é mister que o Estado tome providências para mudar o quadro atual. Para a conscientização  da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura -MEC crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalham a importância da doação de sangue para a melhoria da saúde, independente da orientação sexual do doador. Ademais, o MEC, por meio de uma reforma educacional nas escolas -visto que são o maior veículo da formação de opinião e conhecimento, implemente disciplinas no currículo básico e médio que estimulem o senso crítico dos estudantes, para que, assim, formem cidadãos cientes do preconceito histórico cometido aos homossexuais. Desse modo, a lente pela qual a sociedade enxerga segundo Benedict, será mudada, e o impasse diminuirá gradativamente.