Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 22/04/2020

Desde o surgimento do iluminismo no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, o preconceito enfrentado pelos homossexuais na doação de sangue, põe em cheque os ideais iluministas e mostra que, na prática, essa filosofia não funciona. Isso acontece devido as limitações impostas pela constituição federal e, também, ao preconceito histórico remanescente da epidemia do HIV da década de 90.

É relevante abordar, primeiramente, que a proibição de doadores homossexuais deriva de uma atuação governamental direta. Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de maneira que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade, contudo, devido ao elevado número de políticos conservadores no congresso nacional, as leis que favorecem a comunidade LGBTQI+ são vetadas, evidenciando que, no Brasil, os decretos favoreçam apenas um determinado grupo e não a sociedade como um todo.

Paralelo a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmus Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade líquida”, na qual as relações sociais, políticas e econômicas são superficiais e não duradouras se evidencia quando, por puro preconceito, o Brasil desperdiça 18,9 milhões de litros de “sangue homossexual”, anualmente. Essa proibição, deriva da incapacidade que os hemocentros da década de 90 possuíam de detectar  precisamente as ISTs. Contudo, ela perdura atualmente, devido ao preconceito remanescente da epidemia do HIV, quando o número de infectados era maior na comunidade gay.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca do preconceito sofrido pelos homossexuais na doação de sangue é imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Nessa lógica, é imperativo que o tribunal de contas da união, destine verbas para a confecção de cartilhas que deverão ser distribuídas em unidades de saúde, para esclarecer a população, por meio de textos e figuras,  de que não existe mais grupos de risco, mas sim, situações de risco. Concomitante a isso deve-se destinar parte da verba para a realização de treinamentos nos hemocentros, que será realizado por uma equipe especializada em diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis, para que seja feito os testes de detecção em todas as pessoas que se enquadram em situação de risco. Com isso, a barreira do preconceito sobre os homossexuais será vencida e a sociedade caminhará para a completude dos ideais iluministas.