Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 20/04/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os homossexuais são proibidos de doar sangue no Brasil, dificultando a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do preconceito histórico da sociedade, quanto pelas limitações impostas pela legislação federal. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fulcral pontuar que a homofobia deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, comumente, a população associa DSTs, como Aids e Hepatite, aos homoafetivos, uma vez que, por não haver o risco de engravidar, julga que a maioria não usa preservativos nas relações sexuais. Por conseguinte, homossexuais, regularmente, são impedidos de doar sangue, sem que haja testes para detecção de DSTs e, com isso, ajudar a salvar vidas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o que a legislação brasileira, ao impedir que homens que tiveram relações sexuais com outros homens doem sangue pelo período de um ano, fomenta o preconceito já existente. De acordo com dados da revista “Superinteressante”, mais de 18 milhões de litros de sangue são desperdiçados com a restrição da parcela homossexual e bissexual. Partindo desse pressuposto, mesmo com o déficit de sangue nos hemocentros do país, o Ministério da Saúde faz restrições quanto à doação de homoafetivos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que as limitações impostas pela legislação federal contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Portanto, é fundamental que instituições sociais, como ONGs, por meio de publicidades, por exemplo propagandas televisivas e “outdoors”, promovam a conscientização sobre a importância de doar sangue para a melhoria da saúde do país, com o intuito de fazer com que essa ação seja sempre valorizada, independente da orientação sexual do doador. Somado a isso, é papel do governo, por meio de leis, instituir a obrigatoriedade da realização de testes de detecção de DSTs, a fim de que as oportunidades de doação sejam democratizadas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da homofobia e a coletividade alcançará a Utopia de More.