Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 23/04/2020
“Lembro-me de quando tentei doar sangue e quando disse que era gay à enfermeira não fui aceito de imediato. Fiquei arrasado, né?! Queria salvar a vida do meu amigo acidentado”. O fictício relato anônimo é um comum fato entre personagens homossexuais da vida real, que em muitos Hemocentros são impedidos por conta da sua opção sexual. Nesse contexto, cabe discutir os fatores que se apresentam como intensificadores do preconceito aos gays na doação de sangue.
“Seu sangue é seguro?”. “Fez sexo sem proteção nos últimos 12 meses?”. Essas são algumas das perguntas que fazem parte do procedimento de averiguação de possíveis comportamentos de risco aos futuros doadores de sangue, pois em caso de positivo a probabilidade dessas pessoas estarem contaminadas com HIV é alta. Apesar de ambos os gêneros possuírem chances de pegar esse vírus, mesmo que um gay com parceiro fixo e exames de IST’s negativos eles são automaticamente considerados inaptos e impedidos de doarem sangue ao passo que os heterossexuais são aprovados e têm suas amostras testadas ao responderem sim para a segunda questão. Como consequências disso, incontáveis litros de sangue são desperdiçados e essas pessoas LGBT’s, enquanto humanos, sentem-se impotentes e descartáveis diante dessa situação.
Ademais, vale falar do recurso da mentira para serem considerados aptos. A questão da negativa de doação de sangue da comunidade LGBTQIA+ é um senso comum e ainda sim, motivado pela nobreza do ato de doar e a possibilidade de poder salvar a vida de um desconhecido, preferem mentir sobre sua sexualidade. Nesse prisma, aquele que não tem vivência dessa situação não entende o impacto que é omitir e mentir sobre seu próprio “eu” para fazer o bem. Isso é um tipo de opressão ao cidadão e distinção velada de orientação sexual, resultando em mais um quadro de desrespeito a essas pessoas que tanto sofrem diariamente. Afinal, todos os sangues são testados e por qual motivo as oportunidades a essa parcela é menor?
Infere-se, portanto, que ainda há circunstâncias que tornam o sistema de saúde preconceituoso contra essa parte do povo brasileiro. É imperiosa a ação dos Hemocentros em conferir o mesmo tratamento a todos os indivíduos sexualmente ativos saúde ao responderem sim ou não para a pergunta “você fez sexo sem proteção nos últimos 12 meses?” a fim de não restringir esse questionamento a público algum e não haver desperdício de sangue. Além disso, cabe aos profissionais de saúde palestrarem sobre a importância da verdade durante toda a triagem e ofertarem ambiente confortável e livre de preconceitos a todo doador. Criam-se, assim, políticas de cuidados à saúde de quem recebe sangue em consonância ao respeito a quem doa.