Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 26/04/2020

Dignidade à vida

No início da década de 80, fora constatado que o vírus HIV acomete o ser humano - principalmente homens homossexuais no período em questão. Embora as estatísticas tenham mudado, o contexto emergencial em que a descoberta foi feita figura, ainda hoje, no Brasil, em medidas preconceituosas que impedem homens homossexuais, que tenham tido relação com parceiros também do sexo masculino nos doze meses que precedem à doação, de contribuir, o que limita o estoque já escasso nos bancos de sangue.

Nesse sentido, convém destacar que um dos principais causadores dessa problemática é a vertente econômica, que consiste na não adoção de exames mais modernos, os quais têm uma janela imunológica de dez a quatorze dias, no protocolo de doação por serem mais dispendiosos, se comparados aos tradicionais, os quais possuem esse intervalo de até noventa dias. Há ainda uma raiz cultural do parecer de que o sangue de pessoas homoafetivas é mais propenso a infecções, devido à promiscuidade estar erroneamente associada à comunidade LGBTQIA+.

No entanto, as consequências dessa negligência podem resultar em custos que excedem ao de exames modernos que detectam contaminações, não só pelo fato de que não é economicamente interessante manter pessoas que necessitam de transfusão, internadas, mas também pelo risco a que essas vidas são expostas e, não menos importante, pelo sentimento gerado em quem sofre com esse preconceito, por serem subjugados.

À vista disso, é de extrema importância que seja elaborada uma lei que criminalize quaisquer ato discriminatório na entrevista para a doação de sangue, aprovada pela câmara dos deputados, bem como a adoção de exames para detecção de doenças no sangue mais assertivos e atuais como padrão pelo ministério da saúde com a coparticipação do ministério da economia. Feito isso, será possível garantir dignidade a quem doa, segurança ao donatário e a reparação de um erro persistente há quase quatro décadas.