Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 27/04/2020
Em 1818, James Blundell fez a primeira transfusão sanguínea em humanos de que se tem notícia. Desde então, foram sendo desenvolvidas tecnologias que incrementaram tal procedimento. Nas últimas décadas do século XX, doar sangue passou a ser considerado um ato de civilidade e amor ao próximo que, no entanto, esteve vedado para alguns grupos. Nesse ínterim, é preciso destacar que o impedimento de que homossexuais doem sangue, hoje, configura-se como um preconceito institucional anacrônico a ser combatido.
“Doe sangue, salve vidas”. Esse slogan, com suas variações, é repetido há décadas no Mass Media. Entretanto, diferentemente daquilo que é sugerido pela propaganda, nem todos os indivíduos podem fazer esse gesto solidário, alguns porque, com isso, colocariam a sua saúde em risco, outros porque, supostamente, poderiam afetar a segurança dos receptores. Nesse último grupo são inseridos, entre outros, homens que mantém relações sexuais com indivíduos do mesmo sexo. Tal proibição se remete a meados dos anos 90, com a então recente epidemia de HIV. Como pesquisas apontavam um maior número de infectados entre homossexuais, deu-se o impedimento da transfusão sanguínea tendo como doadores indivíduos do chamado “grupo de risco”.
Dessa forma, fica evidente que, naquela época, tal medida foi necessária para salvar vidas. Hoje, no entanto, essa proibição, que ainda perdura, é desnecessária, pois a AIDS já é uma doença que atinge pessoas com as mais diversas orientações sexuais. Com base nisso, especialistas propõe trocar o conceito de “grupo de risco” por “comportamento de risco” no que tange a seleção de doadores para bancos de sangue. Defendem essa ideia apontando para que os fatores de risco, no que tange a vida sexual, seriam principalmente o número de parceiros e a utilização de preservativos por parte dos doadores, independentemente de sua orientação sexual.
Portanto, fica evidente que proibir pessoas de serem doadoras tendo por base classificações de orientação sexual não é mais uma necessidade. Mas como é preciso cuidar da segurança nas transfusões sanguíneas, medidas precisariam ser adotadas em substituição a essa prática. Para suprir essa demanda, o Ministério da Saúde deveria disponibilizar testes de melhor qualidade para os bancos de sangue. Esses produtos já existem, mas hoje não são usados, no sistema público, por causa de seu preço mais elevado. A federação faria isso disponibilizando mais verbas e centralizando a compra dos mesmos, o que baixaria seu preço. Com testagem mais rápida e segura, evitaria-se a transmissão de doenças, independentemente da preconceitos. Assim, a classificação “grupo de risco” poderia ser banida do sistema público de saúde, incluindo novos doadores.