Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 01/05/2020
O filme “Um coração normal” retrata o preconceito sofrido pela comunidade LGBT durante o surgimento da epidemia de HIV na década de 80, com membros da comunidade científica acreditando que a sexualidade interferia na proliferação da doença. No Brasil do século XXI, essa visão ainda pode ser percebida através das restrições que impedem a doação de sangue por homossexuais com vida sexual ativa, causando a perda de uma quantia incontável de sangue saudável anualmente sem uma motivação palpável.
Na Grécia Antiga, há milhares de anos, relações entre pessoas do mesmo gênero já eram bem aceitas socialmente, ainda que de forma moderada. Com isso, pode-se perceber que o Brasil de hoje está atrasado em relação a certos parâmetros sociais, pois não há qualquer comprovação científica de que a sexualidade torna o sangue de alguém mais ou menos saudável. Além disso, a medicina passou por sérios avanços e hoje possibilita que qualquer impureza no sangue seja identificada, garantindo que a transfusão de sangue ocorra de modo seguro.
A população brasileira não se interessa muito pela doação de sangue, com apenas 3 a cada 200 brasileiros se voluntariando ao processo; em contrapartida, a cada minuto cerca de 15 pacientes necessitam de uma transfusão. A discrepância entre esses números faz com que haja falta de sangue em hospitais, deixando em risco a vida de pessoas que dependem do procedimento. Frequentemente o governo divulga campanhas nos meios de comunicação visando conseguir um número maior de doadores, mas a ineficiência é comprovada pelos dados estatísticos estagnados.
Sendo assim, é notória a mudança dos procedimentos para a doação de sangue no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve editar seus protocolos de modo a assegurar um tratamento igualitário, independente da orientação sexual, e garantindo também que os testes sanguíneos realizados sejam mais modernos, buscando obter um maior número de doadores e, ao mesmo tempo, uma maior segurança acerca da saúde do sangue recolhido.