Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 07/05/2020

O preconceito velado por trás das leis de doação de sangue

Para Franz Kafka, escritor austro-húngaro do século XX, a solidariedade é o sentimento que melhor demonstra o respeito pela dignidade humana. Nessa perspectiva, a doação de órgãos é um grande exemplo dessa solidariedade, pois pode salvar números vidas. No Brasil, entretanto, há um impasse: a doação é proibida para os homossexuais. Como resultado esse grupo fica refém do preconceito da desinformação acerca do assunto, sendo impedidos de exercer sua cidadania. Nesse sentido, convém analisar o problema e suas consequências, bem como possíveis meios para resolvê-lo.

Inicialmente é importante enfatizar o preconceito sofrido pelo grupo em questãos em se tratando da sexualidade. Grande parte da população brasileira associa a homossexualidade à infecções sexualmente transmissíveis, IST’s, perpetuando a opressão sofrida. No entanto, esse motivo não é suficiente para proibir a doação. Por exemplo, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2011, 68% dos casos de HIV estão entre os heterossexuais. Isso mostra que, independente da orientação sexual, há o risco de contaminação. Portanto, a proibição colabora para a perpetuação do preconceito velado no que tange a doação de sangue pelos homossexuais.

Por conseguinte, a continuação dessa proibição acarreta sérios problemas pelo país. Nessa contiguidade, é preciso levar em conta que apenas 1,6% da população é doadora de sangue, segundo o Ministério da Saúde. Os baixos estoques nos hemocentros leva os médicos a adiarem cirurgias e aumentar o tempo de internação, o que gera mais custos para os cofres públicos e aumenta o risco de superlotação nos hospitais. Portanto, a proibição da doação pelos os homossexuais coloca em risco milhares de pessoas a espera das transfusões.

Depreende-se, portanto, a urgência em derrubar essa medida proibitiva, que tanto impacta a saúde de várias pessoas no país. Para isso, o Ministério da Saúde juntamente com o Governo Federal, devem, por meio de votação no Congresso Nacional, alterar as leis que regem as doações de sangue no país, com o objetivo de garantir aos homossexuais o direito de doação. Essa medida vai proporcionar um maior número de coletas de sangue, resultando no aumento da disponibilidade nos hemocentros. Assim, todos os grupos brasileiros viverão plenamente a solidariedade descrita por Franz Kafka.