Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 17/06/2020
Países como Argentina e Dinamarca são exemplos de lugares que aceitam a doação de sangue por pessoas que mantém relação sexual com outras do mesmo sexo. No entanto, 50 países, incluindo o Brasil, não aceitam a transfusão sanguínea desse grupo social amplamente estigmatizado pela história com doenças transmitidas sexualmente. Diante disso, valida-se a discussão acerca do preconceito enfrentando pelos homossexuais na doação de sangue como marcado pela herança histórica, tendo como consequência a limitação de doadores no país.
Em primeira análise, a marca histórica é um dos principais contribuintes que impedem a doação sanguínea pelos homossexuais que, em vista disso, faz manter uma visão retrógrada acerca dessa fração social. Nessa perspectiva, segundo o Ministério da Saúde (MS), a epidemia de HIV dos anos 80 atingiu, na maioria, a população homossexual masculina, os quais viraram sinônimo da doença para aqueles que não tinham informações sobre a contaminação na época. Em visto disso, fica explícito que a barreira para a doação de sangue está muito pautada em um estigma histórico, haja vista a permanência de ideias antiquadas e preconceituosas, mesmo com o esclarecimento da medicina hodierna.
A posteriori, em consequência do fator histórico, o ato de doar sangue permanece embasado em um caráter discriminatório e excludente conta os homossexuais e, com isso, acaba limitando o número de doadores. Nessa perspectiva, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao impedir essa parcela de doar, o país deixar de receber mais de 18 milhões de litros de sangue anualmente. Destarte, os empecilhos para transfusão sanguínea comprometem o bem-estar da sociedade, evidenciados não só pela perpetuação de um julgamento preconceituoso aos homossexuais, mas também pela quantidade de vidas que deixam de ser salvas com a negação do sangue desse grupo.
Depreende-se, portanto, que o preconceito enfrentado pelos homossexuais na doação de sangue apresenta entraves para sua resolução que precisam ser sanados. Assim, é fundamental que a Organização Mundial da Saúde (OMS), junto com o MS, por meio de subsídio financeiro, proponha a criação de um projeto – inicialmente com a reformulação das diretrizes para a doação sanguínea – de educação social voltado para toda população, contando palestras, debates e propagandas engajadas ministrados por infectologistas em escolas, empresas e veículos de comunicação. Tal medida aparece com o intuito de ampliar os atos de doar sangue no país, além de erradicar qualquer pensamento retrógrado social adquirido historicamente sobre a transmissão do HIV.