Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 16/06/2020
O filme Filadélfia retrata a história de Andrew Beckett, um promissor advogado homossexual, que trabalha para um tradicional escritório da Filadélfia. Assim, após descobrirem que ele é portador do vírus da AIDS, Andrew é demitido injustamente da empresa. Fora do universo cinematográfico, é nítido o preconceito enfrentado pelos homossexuais na sociedade, que se reflete também nos impasses da doação de sangue por eles. Todavia, tal discriminação configura-se como prejudicial ao avanço da saúde. Nesse sentido, esse cenário antagônico é fruto tanto da carência de diálogo sobre essa problemática, quanto pelas limitações impostas pela legislação federal.
No livro Totem e Tabu, Sigmund Freud, o pai da psicanálise, descreve os totens como elementos importantes para a sociedade e os tabus como comportamentos e ações inadmissíveis, sendo ,consequentemente, poucos discutidos. Dessa modo, o totem da homofobia é um problemática devido ao senso comum acreditar que os homossexuais possuem diversas infecções sexualmente transmissíveis (IST). Comprova-se, dessa maneira, por uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , em 2009, em que 43% dos entrevistados negariam receber sangue de um pessoa ‘’gay’’. Sob esse prisma, similar ao caso do Andrew B., os homossexuis são vistos como uma escória para a sociedade. Logo, é inadmissível a falta de comunicação sobre os empecilhos da doação de tecidos orgânicos.
Por conseguinte, a legislação brasileira, ao impedir que homens que tiveram relações sexuais com outros homens doem sangue pelo período de um ano, fomenta o preconceito já existente. Entretanto, tal determinação executiva não leva em consideração que muitos heterossexuais não usam preservativos – possibilitando a transmissão de doenças – o que deixa esses dois grupos no mesmo patamar quanto ao risco em relação à doação. Diante disso, de acordo com dados da revista “Superinteressante”, mais de 18 milhões de litros de sangue são desperdiçados com a restrição da parcela homossexual e bissexual, em virtude de serem negadas de fazer testes e, com isso, doar sangue.
Portanto, é evidente o dever de combater o preconceito sofrido pelos homossexuais na doação de sangue . Dessa forma, é necessário afrontar o problema pelas escolas. Urge que o Ministério da Educação (MEC) promova, nas escolas públicas e particulares, projetos que ensinam sobre a importância do respeito aos homossexuais. Desse modo, o programa será realizado por meio do contrato de profissionais, que realizam atividades lúdicas para a compreensão do problema. Durante isso, gerar uma reflexão sobre a necessidade da diversidade. Espera-se, sob tal perspectiva, o fim da letargia e vagarosidade da doação de sangue, bem como que o preconceito seja um tema restrito ao cinema .