Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 15/06/2020

De acordo com o filósofo grego Sócrates, a humanidade vive presa a uma caverna chamada realidade, na qual estão enraizados costumes e pensamentos que tendem a levar a sociedade ao regresso. Nesse contexto, o “Mito da Caverna” define um problema recorrente no Brasil: o preconceito enfrentado pelos homossexuais na doação de sangue. Logo, é fundamental discutir o papel do Estado na construção de estereótipos, bem como as consequências de uma discriminação infundada.

Primeiramente, convém esclarecer que todo o sangue coletado é rigorosamente testado antes de ser transfundido. O objetivo dessa prática é evitar que doenças, como o HIV, sejam transmitidas para outro indivíduo. Partindo dessa premissa, é incoerente a exclusão de uma parcela da população baseado apenas na sua orientação sexual. Entretanto, embora o Ministério da Saúde negue essa posição, existe uma resolução que impede pessoas, que mantiveram relações sexuais com parceiro do mesmo gênero, de doarem sangue durante pelo menos um ano. Tal recomendação parte de um preceito equivocado que associa homossexualismo à AIDS, no entanto, se essa fosse uma preocupação válida, haveria restrição de todos os adultos sexualmente ativos.

Dessa forma, inúmeros potenciais doadores são impedidos, pelos hemocentros, de realizar esse ato de amor ao próximo, mesmo preenchendo os outros critérios necessários, como idade e peso adequados. Consequentemente, milhares de vidas deixam de ser salvas, uma vez que a quantidade de sangue disponível é inferior ao número de indivíduos que aguardam na lista de espera. Nesse sentido, de acordo com o IBGE, são desperdiçados 18,9 milhões de litros de sangue por ano devido às restrições aos homossexuais.

Portanto, tendo em vista a necessidade de mais doadores de sangue no país, é fundamental garantir a participação de todos. Para tanto, o Ministério da Saúde deve, por meio da criação do Plano Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, remover quaisquer restrições aos homossexuais e incentivar sua participação, partindo da ideia que o preconceito vigente é infundado. O fito de tal ação é assegurar os direitos fundamentais desse grupo social em consonância com Constituição Federal. Assim, mudando a realidade atual, a sociedade poderá progredir.