Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 04/10/2020

Debate-se com frequência acerca dos preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue, haja vista que apesar de o Supremo Tribunal Federal ter retirado a restrição para a doação sangue por homoafetivos no ano de 2020, muitos órgãos de saúde e pessoas se recusam a receber essas transferências. Isso ocorre, principalmente, devido a mentalidade preconceituosa de grande parte da sociedade em decorrência da epidemia da Síndrome da imunodeficiência Adquirida (AIDS). Além disso, a ideia equivocada de que eles ainda são um grupo de risco contribui para essa problemática. Por isso, o poder público deve atuar para mitigar essa situação.

Em primeiro lugar, a discriminação da doação de sangue de homoafetivos advém da epidemia da AIDS, a qual era mais incidente em indivíduos masculinos que praticam a sodomia e como medida de segurança houve a proibição da doação de sangue por essas pessoas. Devido a isso, mesmo décadas após essa epidemia e a crescente evolução de testes que identificam pessoas soro positivo com precisão, uma parcela da sociedade e alguns órgãos de saúde ainda tem uma atitude preconceituosa e negam a doação, mesmo que o número de doadores seja baixo e muitas pessoas precisem de transfusão. De acordo com uma pesquisa do Ministério da saúde (MS), de 2019, apenas 16 a cada 1 mil brasileiros são doadores de sangue.

Somado a isso, a falta de consciência de uma parcela da sociedade que ainda considera os homens que mantem relações sexuais com outros homens como grupo de risco contribuí para essa problemática. Uma vez que não existe mais um grupo de risco, mas sim um comportamento de risco o que pode estar presentem em mulheres e em homens héteros e não apenas em homossexuais. De acordo com o Médico Brasileiro Dráuzio Varella, um comportamento de risco consiste em ter vários parceiros, compartilhar seringa, fazer sexo sem proteção ou se relacionar com alguém soro positivo, ou seja, não implica diretamente na opção sexual, mas sim no cuidado com a saúde e do estilo de vida.        Assim sendo, é imprescindível que o poder público atue por meio do Ministério da saúde, para descontruir a mentalidade preconceituosa que algumas pessoas tem e facilitar a doação de sangue por indivíduos saudáveis. Para isso é necessário que o MS realize uma campanha de doação sanguínea e a divulgue na mídia e redes sociais evidenciando quais são os comportamentos de risco que podem comprometer uma doação de sangue. Com o objetivo de desconstruir a mentalidade preconceituosa que ainda se encontra na sociedade, e desvincular os homoafetivos da errônea classificação de grupo de risco, aumentando o número de doadores saudáveis e salvando mais vidas.