Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 07/12/2020

‘‘Doe sangue, doe vida" foi o nome e slogan da campanha para abastecer hemocentros do Instituto de Previdência Social do Município de Campinas. Apesar da campanha ser local, o problema ocorre em âmbito nacional. Se de um lado nós temos hemocentros desabastecidos, de outro temos uma população que é constrangida ao doar. Essa população é a homossexual, que sofrem preconceito e discriminação por conta da campanha difamatória contra sua classe durante a pandemia de AIDS no Brasil.

Quando a AIDS, doença causada pelo vírus da imunodeficiência humana, contaminou os primeiros brasileiros, na década de 80, houve um grande alarde da mídia. Segundo o Dr. Dráuzio Varella, a doença chegou no país com o nome sensacionalista de “Peste Gay”. Isso demostra a maneira preconceituosa que a mazela foi tratada.

Como os primeiros infectados foram, de fato, homens homossexuais e a ciência desconhecia o modo de transmissão, identificação e tratamento da doença, os bancos de sangue, como uma medida de segurança temporária, pararam de aceitar doações de homossexuais. Essa medida logo caiu, mas serviu para que grupos conservadores, infelizmente, propagassem sua ideologia anti-homossexualidade na sociedade, de modo que o preconceito fosse enraizado nos processos de doação de sangue.

Logo, com esse cenário, a doação de sangue caiu dentre essa parcela da sociedade. Mesmo com a antiga medida de segurança derrubada, os homossexuais deixaram de doar 3,7 milhões de bolsas de sangue durante a última década, de acordo com o Ministério da Saúde.

Em suma, o preconceito é o principal impedimento para os homossexuais. Portanto, o Ministério da Saúde deveria, em conjunto com a Anvisa, fazerem campanhas midiáticas voltadas a estimular essa  população a doar sangue. Ademais, a Polícia Militar deveria poder fazer um boletim de ocorrência quando um homossexual é impedido de doar sangue em virtude de sua orientação sexual.