Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 06/08/2020

Em sua obra ‘‘Grande Sertão Veredas’’, o escritor Guimarães Rosa retrata, uma atração romântica entre Riobaldo e Diadorim, que por fazerem parte de um grupo de jagunços percebem que a paixão homossexual seria impossível. Nota-se que ainda hoje, os homossexuais enfrentam preconceitos na doação de sangue, o que gera um número( já baixo) de doadores engajados nessa causa social.

Em primeira análise, cabe pontuar que os próprios profissionais da saúde tratam esse grupo como disseminador de infecções sexuais. Dessa forma, percebe-se que apesar da legislação brasileira não explicitar a proibição da doação se sangue por parte dos homossexuais, é notório que apresentam mais restrições, mesmo que seja para práticas solidárias.  Além disso, os casais homoafetivos devem suspender as relações sexuais por um ano para realizar tal ação, ‘‘pedido’’ esse que não é exigido para os heterossexuais.

Segundo a OMS ( Organização Mundial Da Saúde.) , os homossexuais apresentam 20 vezes mais chances de contraírem IST’s ( Infecções Sexualmente Transmissíveis), dado que não justifica o preconceito ao qual esse grupo está submetido, uma vez que as novas tecnologias possibilitam maior precisão para detectar doenças, sem necessitar julgar uma pessoa de acordo com a orientação sexual. Outrossim, é que essa postura negligente por parte da comunidade médica desestimula a doação de sangue e consequentemente dificulta tratamentos que precisam desse órgão distribuidor.

Portanto, é necessário que o Governo Federal disponibilize cursos que possam orientar os profissionais da saúde à tratarem sem preconceito os homoafetivos. Ademais, deve-se reduzir a burocracia durante a triagem, para democratizar o dever de todos os cidadãos de doar sangue , independente da orientação sexual. Afim de que, diferentemente de Riobaldo e Diadorim, os homossexuais possam ter acesso ao respeito.