Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 04/09/2020
Desde que ocorreu a epidemia da AIDS causada pelo vírus do HIV na década de 80, onde a doença chegou a ser intitulada como a “Peste-Gay”, o homossexual está vinculado a muitos estigmas preconceituosos. Entre eles, o impedimento de realizarem a doação de sangue no Brasil, pelo simples fato de terem se relacionado com alguém do mesmo sexo nos últimos 12 meses. Essa atitude se torna preocupante na sociedade contemporânea, principalmente entre a comunidade LGBTQIA+, devido ao grau de intensidade desse preconceito por parte do Ministério da Saúde somado com omissão do Governo, e prenuncia a necessidade de mudanças.
Em uma primeira análise, observa-se que essa exclusão dos homossexuais como doadores de sangue tem um impacto direto nos bancos de sangue. Atualmente o Brasil está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no índice de doadores de sangue, que seria de 3% e 5% da população nacional. A atitude do Ministério da Saúde que ao entrevistar o indivíduo, considera a sua orientação sexual como sinônimo para um comportamento de risco, caracteriza-se em uma atitude excludente e preconceituosa. Nesse sentido, parafraseando Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Portanto, diferenciar o doador por sua orientação sexual, prejudica diretamente a contribuição aos bancos de sangue.
Ademais, é possível afirmar que a omissão do Governo está intimamente ligada com a permanência desse estigma indevido. Isso é evidenciado pelo simples descaso em adquirir novas tecnologias, que possibilitam a identificação do vírus HIV em uma janela mínima de 10 a 14 dias após a infecção, optando pelo apoio dessa abordagem invasiva e preconceituosa como pré-análise dos doadores. Contradizendo o pensamento do filósofo italiano São Tomás de Aquino, onde afirma que todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além de direitos e deveres iguais.
Infere-se, então, que essa atitude do Ministério da Saúde e a omissão do Governo são importantes vetores do preconceito aos homossexuais na doação de sangue. A fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o Ministério da Saúde reestruture essa entrevista, considerando o comportamento de risco envolvendo à todos. À vista disso, deve destinar recursos oriundos de impostos arrecadados nos grandes centros, a fim de adquirir as tecnologias disponíveis no mercado, que se mostram eficientes para a testagem dos sangues doados, de forma que agregue à todos. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada, e a atitude defendida por São Tomás de Aquino, finalmente estará em ação, sem segregação e preconceito para benefício de todos.
O fato do indivíduo fazer sexo com o mesmo gênero, não deve ser parâmetro para ser considerado um grupo de risco, e sim a atitude de risco. Logo, se