Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 05/09/2020

No clipe “I want to break free”, Freddie Mercury expõe seu desejo de poder ser livre em uma sociedade completamente homofóbica. Esses preconceitos têm se revertido de forma gradativa, entretanto ainda existem diversos setores em que os homossexuais são menosprezados. Entre eles podemos citar a questão da doação de sangue.

O que ocorre nessa situação é que os órgãos da saúde classificam que todo o sangue vindo de homossexuais, principalmente dos gays, é inadequado por apresentar vírus de doenças tais como a AIDS e a Hepatite B. Essa justificativa se baseia no fato de que, nos anos 80, ocorreu um surto de AIDS entre os gays, o qual, inclusive, atingiu Freddie Mercury. Isso ocasionou uma visão preconceituosa acerca desses indivíduos, a qual alegava que todos os homossexuais continham a doença. Entretanto, tal visão desconsidera que estar promíscuo a uma doença sexual independe da orientação sexual do indivíduo, já que tanto homossexuais quanto heterossexuais podem apresentar a doença. Nesse caso, o fator que delimita a probabilidade de adquirir ou não a efermidade é a segurança na relação sexual.

É por conta desse preconceito histórico que, mesmo sem existir uma legislação contra a doação de sangue por homossexuais, muitos desses indivíduos são eliminados do banco de doação. Essa proscrição é feita por meio do questionamento: “você teve relações sexuais com homens nos últimos 2 meses”?. Essa questão é completamente preconceituosa visto que o fato de ter tido relações com pessoas do mesmo sexo não significa que, automaticamente, o indivíduo apresente o sangue contaminado. Ademais, todos os sangues são verificados após a coleta, logo, o plasma de tais indivíduos deveria ser examinado junto com o dos demais, e não previamente por meio questões dogmáticas.

Para amenizar tal situação, em maio de 2020, o STF derrubou tal restrição alegando que era uma situação desumana e que os bancos de sangue estavam defazados pela pandemia do Coronavírus, logo necessitavam de mais doações. Apesar desse feito representar uma vitória para a comunidade LGBTQ+, ainda é necessário que as pessoas delimitem os prejulgamentos, para que essa nova visão possa entrar em vigor. Para tal, seria interessante que o governo incentivasse, por meio de campanhas a doação de sangue independente da orientação sexual, e que fosse implementado nas escolas o estudo acerca de tais preconceitos. Com isso, a comunidade LGBTQ+ poderá ser menos discriminada, tendo assim a liberdade individual, pela qual Freddie Mercury rogava.