Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 10/09/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, “Todos são iguais perante a lei, é direito do brasileiro e do estrangeiro residente no País, o direito a segurança, a proteção e a integralidade social”. Contudo, apesar dos avanços constitucionais, ainda no século XXI, há existência do preconceito estrutural e histórico contra a classe LGBT - lésbicas, gays, bissexuais e transexuais no Brasil .Dentre os diversos fatores que intensificam o problema, destaca-se a restrição de doação de sangue desse grupo socialmente vulnerável, o que caracteriza o conceito sociológico de “violência simbólica”. Logo, urgem medidas para resolver o impasse, que além de retirar o bem-estar social, ameaça a integralidade dos indivíduos.
Nesse contexto, vale ressaltar que ainda predomina um preconceito enraizado na sociedade brasileira contra os grupos de minoria como a classe LGBT. Desse modo, segundo a revista o Jornal da Globo, 65% dos indivíduos homossexuais que já participaram do sistema de doação de sangue no Brasil, relatam que já foram discriminados ao participar do processo. Além disso, o próprio Sistema Único de Saúde recomenda a não doação desse grupo por conta do alto risco grau de contaminação, o que caracteriza uma expressão do conceito de “violência simbólica” proposto pelo sociólogo Pierre Bordieu. Desse maneira, de acordo com o autor - as formas pejorativas de se referir a uma pessoa ou excluí-la socialmente pode ser considerada como um tipo de agressão. Assim, mesmo após os avanços constitucionais, ainda prevalece esse cenário preconceituoso que ameaça a integralidade social.
Por conseguinte, essa exclusão do sistema contribui de forma negativa para que haja o aumento do preconceito contra essa minoria da população. Nesse sentido, no filme “Filadélfia”, mostra como as instituições governamentais influenciam a própria sociedade a ser preconceituosa - fato esse diretamente ligado com a questão da doação de sangue de homossexuais. Desse maneira, mesmo após campanhas, incentivos para amenizar os casos de intolerância contra esses indivíduos, essa herança ideológica ainda perpetua nas próprias organizações, o que frequentemente gera ainda mais os discursos de ódio e problemas socais.
Portanto, com o intuito de amenizar essa questão, é necessário que o Governo - responsável em garantir direito a todos, incluindo a classe LGBT, em parceria com o Ministério de Educação, invista, por meio de verbas, em campanhas e projetos que discuta a importância de proteger esses indivíduos e mostrar que todos são iguais independente do sexo. Adicionalmente, parte dessas verbas devem ser destinados para o acolhimento desses cidadãos, a exemplo de oferecer atendimento psicológico nos locais de saúde como postos de saúde para que esse preconceito estrutural seja erradicado.