Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 15/12/2020
O matemático Alan Turing ajudou as Aliados na Segunda Guerra Mundial a partir da decodificação de mensagens nazistas. Estima-se que essa ação reduziu a guerra em dois anos. Turing, contudo, não recebeu honrarias em vida, pois era homossexual - considerado crime na Inglaterra daquele período. A discriminação e exclusão consequência da homofobia ainda são constantes. Na atualidade, as lutas provocaram discussões e mudanças, mas a doação de sangue por homossexuais continua a ser vista com ressalvas.
Primeiramente, precisa-se analisar o comportamento da pessoas em relação à homossexualidade. A formação moral contemporânea permanece ligada aos ideais modernos, visto que a ética burguesa é a dominante. Nesse sentido, a Revolução Industrial transformou a forma de produzir e a Reforma Protestante, a maneira de ver o trabalho. Dessa maneira, formou-se uma sociedade que busca o acúmulo de riqueza e meios de mantê-la. A família, em vista disso, representa o sucesso e, também, a garantia de sucessão das conquistas, que seriam comandadas pelo filho mais velho. A homossexualidade, então, negaria os ideias estabelecidos, além de condenada pelo cristianismo.
Assim sendo, preconceitos surgiram contra os homossexuais e o pensamento dominante tomou medidas para excluir aquele grupo. Quando o surto de AIDS começou ao redor do mundo, sem fundamentos científicos, associou-se a doença à homossexualidade, que eram considerados promíscuos. Segundo o médico Dráuzio Varella, após pesquisas, pode-se afirmar que existe comportamentos de risco, e não grupos de risco quando se trate da doação de sangue e o risco da transmissão de AIDS pela transfusão. Dessa forma, a restrição da doação de sangue - antes proibida para homossexuais que tiveram relações sexuais em menos de 12 meses - seria apenas discriminação, não um cuidado. Logo, não se pode implementar medidas sanitárias excludentes baseando-se na orientação sexual dos indivíduos.
Fica evidente, portanto, que a formação moral histórica gerou preconceitos contra a doação de sangue por homossexuais. Para garantir que essa realidade não se repita, as Secretarias de saúde, em parceria com o Terceiro setor, precisa fazer campanhas que estimulem a participação de homossexuais e informe a população com dados cientificamente comprovados, a fim de garantir o direito legal daqueles e combata o preconceito desta. Ademais, o Ministério da Educação deve promover discussão sobre preconceitos e como esses foram formados com palestras com lideranças gays, com o objetivo de mudar a visão sobre a homossexualidade e combater a homofobia.