Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 15/10/2020

A “Libertação Gay” foi a onda de movimentos ocorridos entre as décadas de 60 e 70 reivindicando direitos e a visibilidade da comunidade LGBTQ+. Entretanto, poucos avanços de fato ocorreram. Atualmente o Brasil ainda perpetua tradições homofóbicas, como a exclusão de homossexuais que se candidatam a doar sangue.

É sabido que ainda hoje homens homossexuais concentram a epidemia de HIV, mesmo com o avanço do controle da doença. Todavia, a forma como a triagem desse grupo é feita evidencia a ineficácia de uma abordagem tão antiquada. A falta de treinamento das equipes de triagem nos hemocentros, endossada pela legislação do Ministério da Saúde, torna a entrevista não só constrangedora como também muitas vezes descarta erroneamente doadores saudáveis.

Ainda convém lembrar que tais atitudes discriminatórias afetam também outros grupos LGBTQ+, como mulheres lésbicas e pessoas trans, que não são grupos de risco. A consequência desse fato é o afastamento de muitos possíveis doadores por um consenso público deturpado da realidade desta comunidade. Aliado a isso, apenas 1,5% da população doa sangue no Brasil, então a exclusão incorreta por parte dos hemocentros afeta diretamente os bancos de sangue.

Sendo assim, a triagem dos doadores de sangue precisa ser atualizada para realidade social atual. O Ministério da Saúde deve revogar a portaria que exclui os homossexuais de doarem sangue e substituir pela obrigação dos hemocentros públicos e privados em investir em testes mais avançados para a detecção de HIV pós doação. Dessa maneira haverá mais aproveitamento dos candidatos à doação e menos preconceito estrutural como há no processo atual. Outra medida importante é a reciclagem das equipes que entrevistam os candidatos para se adaptarem e se conscientizarem quanto à nova realidade social do país, evitando assim interpretações erroneas dos perfis.