Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 28/11/2020
No Hino Nacional brasileiro é resguardado que todos os cidadãos são iguais perante a lei. No entanto, observa-se os preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue e, em virtude de serem condições maléficas, medidas são necessárias para mitigar as causas existentes. Ademais, a insuficiência estatal e a falta de mobilização cidadã em prol da equidade são agravantes desse infortúnio.
Em primeiro plano, é preciso destacar o déficit governamental como óbice nesse imbróglio, pois ocasiona manutenção dos atos preconceituosos. Nesse âmbito, segundo o filósofo inglês John Locke, é dever do Estado garantir bem-estar aos indivíduos e manter a sociedade em equilíbrio. Entretanto, é evidente que a escassez de políticas públicas, bem como de fiscalização dos órgãos de saúde, com o objetivo de erradicar atitudes homofóbicas, corrobora o aumento dos casos de pessoas que, apesar de terem plena condição de realizarem a doação, não podem praticar o ato por serem homossexuais, contradizendo oque foi proposto pelo filósofo. Dessa maneira, é essencial mudança desse panorama de insuficiência para evitar persistência da querela.
Além disso, o silenciamento da problemática é outro fator recorrente, porque gera diminuição do número de doações. Nesse aspecto, no romance “Ensaio sobre a Cegueira”, o célebre escritor José Saramago definiu o conceito “Eclipse de consciência”, utilizado para sintetizar a ideia da imperiosa sensibilidade humana perante as dificuldades enfrentadas pelo próximo. Nesse viés, é indubitável a ocorrência dessa situação nefasta na atualidade, dado que os brasileiros, em sua maioria, não se mobilizam ou promovem atitudes contra as atitudes preconceituosas que assolam os doadores de sangue homossexuais, fator que acarreta na redução do número de concessores com potencial de salvar vidas. Dessa forma, é substancial alteração desse quadro de imobilização cidadã para evitar maiores riscos.
Depreende-se, portanto, que os preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue são circunstâncias nocivas carecedoras de solução. Logo, cabe ao Ministério da Saúde -órgão de alta relevância para o país- promover campanhas que incentivem a doação de sangue por homossexuais e o apoio da comunidade civil aos mesmos, por meio de propagandas publicitárias – que deverão circular em programas de televisão e rádio – a fim de que todos possam ser doadores sem serem afetados pelo preconceito e as pessoas se mobilizem pela causa dos marginalizados.