Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 16/09/2021
Segundo a filósofa Marilena Chauí, os animais são seres naturais e os humanos, culturais. Nesse sentido, ela corrobora a ideia de que os indivíduos são reflexos diretos do meio em que vivem. Nessa perspectiva, no Brasil, essas construções coletivas podem ser observadas nos preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue, já que essa intolerância deriva de concepções generalistas equivocadas acerca do comportamento desses sujeitos, como sua suposta promiscuidade. Dessa forma, essa rejeição perdura devido ao estigma social e às condutas errôneas do Estado brasileiro.
Antes de tudo, a sociedade, graças à sua ignorância acerca desse assunto, contribui com esse preconceito. Nesse contexto, durante a década de 1980, a epidemia do vírus da imunodeficiência humana (HIV), persistente até os dias atuais, causou a morte de muitas pessoas e criou uma visão preconceituosa dos homossexuais, principais vítimas dessa enfermidade na época. Atualmente, ‘gays’ portadores dessa infecção; mesmo com o desenvolvimento de diversos tratamentos, como coquetéis antirretrovirais; ainda sofrem discriminação. Além disso, a persistência dessa repressão se deve à falta de informações e debates sobre esse antígeno em espaços públicos. Dessarte, promover a discussão dessa temática nas mais diversas esferas sociais é o caminho para acabar com essa aversão.
Ademais, o governo, pela proibição generalista e antipática, lida com essa situação de forma antidemocrática. Assim, de acordo com o filósofo Aristóteles, a política tem como função preservar o respeito entre as pessoas. Contudo, ao não permitir que homossexuais masculinos doem sangue, o Estado não cumpre seu papel de promoção de ética. Assim sendo, essa medida drástica é embasada na maior suscetibilidade deles ao desenvolvimento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Todavia, essa tese se mostra insuficiente, pois, essencialmente, todos podem desenvolver e transmitir esses patógenos. Destarte, para lidar com essa situação de uma maneira menos abrupta, o Estado deve estabelecer medidas menos severas como: a testagem sanguínea antes da coleta.
Portanto, é preciso romper com essa visão retrógrada e analisar essa questão de forma ética. Com efeito, o Ministério da Saúde, com o apoio de representantes dessa minoria, deve, por meio de verbas públicas, elaborar um projeto que atue, tanto na elaboração de palestras veiculadas em espaços públicos, com médicos e pessoas dessa causa, acerca do HIV e do combate ao estigma para com essas pessoas, quanto na liberação da doação de sangue de homossexuais de forma segura. Então, antes da coleta, seriam realizados testes das mais diversas ISTs nesses sujeitos. Em suma, com o suporte desses atos, doações seriam feitas e vidas, salvas.