Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 12/12/2020

Em sua obra “A Cidade do Sol”, o célebre escritor renascentista Thomasso Camponella disserta acerta de uma sociedade caracterizada pela ínfima proporção de adversidades e conflitos, principalmente no que se refere a ausência de preconceitos. Contrariamente, o observado na coletividade contemporânea é o oposto da conjuntura descritita pelo autor, haja vista que os preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue representa um obstáculo. Diante disso, fatores como a desinformação, juntamente  à negligência governamental, corroboram a persistência desse cenário antagônico.

Primordialmente, é válido ressaltar a desinformação inerente ao corpo social contemporâneo como propulsor da problemática. Nessa perspectiva, conforme o escritor Claudio Martins, as pessoas tem medo de tudo aquilo que não compreendem. Por esse motivo, os indivíduos que não procuram informarções sobre tais questões reproduzem pensamentos de cunho preconceituoso, como por exemplo, que pessoas com relacionamentos homoafetivos possuem mais chances de transmitirem o vírus do HIV. Com isso, pessoas que necessitam de sangue são privadas de recebe-lo em decorrência do pensamento limitante de alguns seres humanos.

Ademais, outro ponto relevante nessa temática é a negligência governamental diante de uma questão tão importante. Sob esse viés, conforme o sociólogo John Locke, é dever do Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar coletivo. No entanto, é possível perceber que tal contrato social é rompido, tendo em vista que não existem políticas públicas que busquem incentivar pessoas homossexuais a realizar doações de sangue, ou até mesmo que quebrem o paradigma preconceituoso em relação a tais indivíduos, ainda que constitucionalmente todos sejam iguais. Desse modo, diante de tantas dificuldades e sem nenhum incentivo, os bancos de sangue carecem de doadores.

Infere-se, portanto, que os preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue é um tema relevante e que necessita de resolção. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Saúde financie campanhas de incentivo a homossexuais quanto a doação de sangue, e quebrem o paradigma inerente aos mesmos. Tal ação deve ser feita por intermédio de emendas constitucionais, as quais garantam que tal ação alcance os múltiplos estados. Com isso, preconceitos serão rompidos e o direito constucional será cumprido, o que aproximará o corpo social contemporâneo a “Cidade do Sol” referenciada anteriormente,