Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 23/12/2020
Brás Cubas, o autor defunto de Machado de Assis, diz em suas ‘‘Mémorias Póstumas’’ que não teve filhos e, portanto, não transmitiu a nenhum ser o legado de nossa miséria. Talvez hoje percebesse acertada sua decisão: pessoas são impedidas de praticar o altruísmo devido suas orientações sexuais; trata-se da proibição da doação de sangue por homossexuais. Nesse contexto, nota-se a necessidade de debate para que se priorize o estado de saúde e condições clínicas em detrimento da sexualidade do indivíduo.
Em primeiro lugar, é importante salientar que qualquer relação sexual desprotegida é insegura, logo, não existe grupo de risco, mas sim, comportamento. Soma-se a isso, à ideia infundada de que os homossexuais são todos promíscuos, o que contribui de certa forma para julgamentos de que o sangue destes são então infectados com alguma doença. Assim, é necessário romper estereótipos ultrapassados e saber que tanto o material doado de individuos homossexuais ou heterossexuais podem apresentar eventuais riscos e que por isso devem ser analisados rigorosamente para que sejam seguros ao receptor.
Consoante, Carlos Drummond expôs em um de seus poemas que existem situações na vida que se comportam como pedra, ou seja, um empecilho. À vista disso, para remover tais obstáculos que possam vir a impendir a doação de sangue de homossexuais, é fundamental o comprimento da liberação estabelecida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), de maneira de que se algum cidadão se sinta discriminada por sua orientação ao doar sangue possa se respaldar no Poder Judiciário, por sua vez, à sociedade cabe o abandono de opiniões retrográdas e o devido respeito a diversidade, à mídia pode cooperar nessa processo de modo a desmistificar à temática através de seus veículos de comunicação.
Conforme exposto, fica evidente quão empobrecedora é a restrição à doação de sangue de homossexuais, uma vez que é preconceitosa e diminui a oferta de bolsas de sangue que poderiam ser útil a algum indivíduo. Em razão disso, políticas que evitem sua ocorrência são de grande valia, o Poder Judiciário e a sociedade em geral devem coolaborar, respectivamente, pela execução da legislação, de modo a promover a justiça com a devida proteção às vítimas desse tipo de ato e a comunidade cabe o estabelecimento do pensamento de igualdade de direitos, a mídia pode ajudar na ampliação dessa concepção. Tais ações levam a uma sociedade mais humanizada que julga à diversidade enriquecedora e não admite segregações. Criando assim, um legado do qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.