Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 31/12/2020
A respeito dos preconceitos enfrentados pela comunidade LGBT na sociedade contemporânea, especialmente ao que se refere à doação e distribuição de sangue, depreende-se que há um longo caminho a ser percorrido em favor da superação dos obstáculos, tabus e discriminações sociais. Devido a questionamentos considerados invasivos, isso ainda na fase de entrevistas para as doações, muitos candidatos são compulsóriamente eliminados do quadro de doadores devido as suas respectivas orientações sexuais ou históricos de atividade sexual recente. A quem resulta o ônus de tais ações neste aspecto? A própria sociedade, pois devido a perda de doadores efetivamente interessados em colaborar, perdem-se bolsas sanguineas que poderiam ser preciosíssimas no salvamento de outras vidas.
Legalmente, não há quaisquer restrições a respeitos dos grupos sociais permitidos ou impedidos de promover doações. Porém na prática, no dia a dia, não é o que se observa. Segundo o que fora informado por um entrevistado, existem empecilhos e requisitos que estão implícitos ou que foram apenas convencionados socialmente. Esses critérios promovem a desqualificação de candidatos dependendo do que fora respondido no questionário de avaliação. É considerado ainda, que especialmente os homens autodeclarados homossexuais, são mais propensos a serem transmissores de DST’s tais como o HIV e a hepatite. Muito mais do que as mulheres homossexuais.
Aqueles que ainda assim, manifestam seu desejo de serem doadores e que não aceitam o parecer dado pelo banco coletor, muitas vezes se utilizam de “brechas” para cumprir com seus deveres como cidadão. Muitos deles se obrigam, inclusive, a ocultar informações no questionário a fim de obterem mais aceitação como perfil doador no hemobanco. Muitos acreditam que o método de análise do sangue é totalmente seguro e que não acarretará problemas aos futuros receptores. Outro fator determinante para eles, é a condição como cada doador vive sua vida sexual. Muitos deles garantem que não são possíveis transmissores, que realizam os testes anti-DST’s regularmente, que utilizam preservativos corretamente e que não possuem vida promíscua. Isto é, com a troca constante de parceiros. Quem ganha mais com tais atitudes, ainda que sejam consideradas imorais, são os próprios receptores, pois recebem a quantidade de sangue de que necessitam regularmente e conseguem obter um pouco mais de qualidade de vida.
Portanto, nota-se que os mecanismos de triagem podem e devem ser atualizados, pois assim, diminuiria a quantidade de doadores perdidos, e ampliaria os estoques. Ademais, nunca é demais frisar, que a conduta de risco do doador deve receber mais atenção do que a opção sexual propriamente dita.
Nota-se, nesse sentido, que o sistema público de saúde está permeado por determinante mais sociais do que biológicos, pois, sobretudo, não é levado em conta que há a possibilidade de testar as bolsas sanguineas antes das transfusões, ainda que os doadores sejam pertencentes a comunidade LGBT.