Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 13/07/2021

Conforme a Constituição federal de 1988 é dever do Estado assegurar o direito as liberdades individuais, repudiando qualquer ato de discriminação racial, sexual ou religiosa. Entretanto, o próprio documento se contraria ao restringir o perfil de potenciais doadores de sangue, por meio da segregação de grupos homoafetivos, ocasionando a limitação do número de reservas nos bancos sanguíneos e o acesso a pacientes, além de fomentar a homofobia e a violência moral.

Em primeira análise, segundo o filosofo alemão Karl Marx, a historicidade evidencia as dessemelhanças socioculturais de um povo. Mediante ao elencado, como representado na produção cinematográfica “Meu corpo é político”, que acompanha o cotidiano de membros do movimento LGBTQIA+, o combate ao homossexualismo se encontra enraizado na sociedade brasileira, uma vez que este é interpretado, incorretamente, como uma manifestação promiscua e antinatural. Desta forma, tais fatores reverberam no âmbito da saúde, visto que a doação sanguínea por parte de indivíduos uranistas ainda é considerada insalubre e mais suscetível a transmissão de doenças. Como exposto pela eclosão da epidemia do vírus HIV na década de 1980, que foi inicialmente atrelada de maneira erronia a comunidade gay, colaborando para intensificação de preconceitos, apesar de estudos recentes, realizados pelo sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, evidenciarem uma maior incidência de casos de AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) entre os heterossexuais.

Ademais, de acordo a dados da Organização Mundial da Saúde, apenas 1,9% da população abastece os bancos de sangue nacionais, dificultando a realização de tratamentos. No que tange os impasses enfrentados por pessoas homoafetivas, nota-se como a discriminação sexual sobrepõe a crise sanitária que assola o país, acarretando não só prejuízos a pacientes debilitados, mas também o constrangimento e marginalização de homossexuais, impedidos de exercerem sua cidadania e liberdade de escolha, sendo que tal intolerância é edificada, consoante ao pensador francês, Voltaire, pela desinformação, resultando unicamente na desigualdade e no desrespeito.

Infere-se, portanto, a necessidade do combate a homofobia. A começar pela criação de um projeto de lei na Câmera dos Deputados, que vise extinguir o bloqueio a doação de sangue pela comunidade LGBTQIA+, tendo por finalidade aumentar o número de doadores e promover a equidade de direitos. Outrossim, o desenvolvimento de campanhas informativas pelo Ministério das Comunicações, voltadas a conscientização das massas, através de promoção do respeito a diversidade sexual e a superação de estigmas atrelados a transfusão sanguínea, impulsionando mudanças sociais e a gradual desconstrução de preconceitos.