Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 11/06/2021

Em maio de 2020, o Supremo Tribunal de Justiça, (STF), derrubou a restrição que proibia a doação de sangue por parte de homossexuais. Entretanto, a sociedade contemporânea ainda enfrenta grandes dilemas a respeito do preconceito enfrentado por essas pessoas ao realizar a doação. Sendo assim, infere-se que essa problemática é decorrente da postura homofóbica do Estado e da discriminação histórica dos homossexuais. Logo, medidas são necessárias para resolução do impasse.

Em primeiro plano, é importante pontuar que o Estado exerce um papel fundamental no que diz respeito a sua postura de cunho homofóbico. Assim, a adoção de políticas de restrição, embasadas na orientação sexual dos cidadãos, promove a exclusão social desses grupos. Em consonância, durante a República Oligárquica, mulheres e analfabetos não podiam exercer sua cidadania por meio do voto, já que o Estado delimitava os grupos que possuíam esse direito, ocasionando seu isolamento perante a sociedade. Dessa maneira, é notório que, historicamente, o governo assumiu o papel de restringir a participação de minorias em questões públicas, por conta de seu ideal construído em bases patriarcais.

Nessa perspectiva, analisa-se que a discriminação sofrida pelos homossexuais, no decorrer dos anos, culminou nos preconceitos enfrentados por esses na doação de sangue. Com isso, tudo aquilo que se refere a esse grupo foi colocado como promíscuo e pecaminoso. Por conseguinte, a homossexualidade integrou, até o ano de 1990, a lista de doenças da Organização Mundial da Saúde, (OMS), e em 1981, quando os primeiros casos de aids foram notificados, essa doença foi chamada de “câncer dos gays”. Logo, a homossexualidade foi historicamente relacionada a doenças, como se fosse um vírus que contaminaria a população. Ademais, no século XXI, já existem métodos tecnológicos que detectam patógenos no sangue, porém, por conta desse passado de preconceito, essa parcela da população ainda enfrenta empecilhos na doação.

Em síntese, é necessária a formulação de medidas para diminuir o preconceito enfrentado pelos homossexuais na doação de sangue. Para tanto, os centros de doação devem divulgar informações corretas sobre o assunto. Isso será feito por meio da distribuição de cartazes que explanem a temática e da realização de palestras, em parceria com as prefeituras municipais, em espaços públicos, ministradas por profissionais da saúde, com o fito de conscientizar a população e diminuir o preconceito. Dessa maneira, ocorrerá aumento no número de doadores e abastecimento dos postos de coleta.