Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 28/06/2021

A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante igualdade a todos perante à lei. Contudo, o cumprimento desse exercício tem se mostrado falho no que tange ao cotidiano da sociedade brasileira. Nesse sentido, surge a problemática dos preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue, na realidade do país, seja pela discriminação, seja pela ignorância. Dessa feita, é imperativa a ampliação de ações para mitigar tal impasse.

Em primeira análise, cabe ressaltar o preconceito aos homoafetivos e as consequências advindas disso. Exemplo disso é visto na novela brasileira “ Bom Sucesso “, a qual retratou a personagem Gabi, que, precisava urgentemente de uma transfusão sanguínea do tipo “ Falso O “ - raro -, porém, o doador, por ser gay, foi restringido à doação. Similar à dramaturgia, na vida real, o pré-julgamento acarreta na diminuição de possíveis doadores para a média nacional, que, como exemplificam dados do Blogspot, conta com menos de 1,6% da população. Assim, nota-se que a discriminação impede cuidados vitais, como transfusões emergenciais, sendo necessárias medidas para atenuar esse fato.

Em segundo plano, convém analisar o desinteresse que afeta a saúde coletiva. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira não só coletiva de agir, mas ainda de pensar, dotada de generalidade, coercitividade, além da exterioridade. Seguindo esse raciocínio, a crença de que todo homossexual é promíscuo com a saúde, restringindo-os às doações, viabiliza não só a aversão à sexualidade, mas também negligências contra a saúde, visto que consoante analisa a Revista Super Abril, mais de 18 milhões de litros de sangue são perdidos por esse estereótipo. Logo, deve-se instituir ações para diminuir essa conjuntura.

Evidencia-se, portanto, que há entraves quanto à doação sanguínea de gays, tendo o preconceito e a falta de interesse como fato social. Dessarte, urge ao Ministério da Saúde promover campanhas - outdoors, palestras e propagandas -, incentivando doações, independente de orientação sexual, a fim de incentivar a população, minimizando os impactos de tal rotulação. Ademais, a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - deve introduzir exames com maior eficiência na detecção de doenças - aos candidatos sem distinção -  com fomento de recursos do Governo Federal - , para que haja menor perigo de contaminação, reduzindo os litros de sangue perdidos. Dessa forma, garantir-se-á diminuição de preconceitos enfrentados por homossexuais na doação de sangue. -