Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue
Enviada em 06/08/2021
Nos anos 80, o vírus HIV causou diversas mortes em todo o mundo. Essa pandemia aterrorizou a população de todos os continentes, pois essa doença possuía grande mortalidade. Somado a isso, as pessoas que tinham relações sexuais com outros homens eram as mais infectadas. Com isso, uma enorme variedade de preconceitos foi direcionada a essa população. Na contemporaneidade, algumas discriminações ainda se perpetuam, visto que homossexuais não podem doar sangue. Assim, torna-se imprescindível refletir sobre esse estigma e os efeitos causados por ele.
A priori, é importante destacar que a proibição na doação de sangue por pessoas gays é o reflexo de concepções errôneas frente a essa minoria. Nesse contexto, o filósofo iluminista Voltaire afirmava que o preconceito é uma opinião sem conhecimento. Tal máxima explica alguns dos estereótipos negativos, como, por exemplo, a ideia de que todos os homossexuais possuem diversos parceiro e, por esse motivo, são acometidos por inúmeras infecções. Essa ideia exclui os atuais argumentos construídos pelo discurso científico sobre o comportamento de risco, pois os heterossexuais também se contaminam ao não usar preservativos. Portanto, perde-se o sentido em banir alguns grupos na doação de sangue.
Além disso, esse impedimento acarreta danos no que diz respeito à captação de novos doadores para coleta de sangue nas instituições de saúde. Nesse sentido, o site Agência Brasil publicou uma notícia sobre a necessidade de o Ministério da Saúde ampliar o número de doadores, tendo em vista os baixos estoques do insumo vital em alguns hospitais do Brasil. Dessa forma, excluir parte da população apenas pela sua orientação sexual, além de perpetuar estigmas e preconceitos, reduz a possibilidade em absorver novas pessoas para doação. Somado a isso, segundo um dado divulgado no site do Governo Federal, quatro vidas podem ser salvas com apenas uma única bolsa de sangue. Logo, diversos indivíduos podem ser beneficiados com essa ampliação.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de atravessar fantasias que estigmatizam os homossexuais. Para tanto, é imprescindível que o Congresso Nacional elabore leis com o objetivo de permitir que pessoas gays doem sangue. Esse projeto pode ser elaborado por meio da ajuda de um corpo técnico e científico, capaz de, a partir dos conhecimentos atuais, desmascarar os pré-conceitos que ainda rondam a sociedade brasileira. Esses profissionais podem ser da área da infectologia e que realizam pesquisas nas universidades do país sobre essas questões. Assim, será possível vislumbrar uma saída para as concepções deturpadas que os homossexuais enfrentam.