Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 26/08/2021

Em um episódio do seriado “Grey´s Anatomy”, durante uma cirurgia, não era possível ter acesso ao banco de sangue do hospital, o que fez necessário o médico Levi Schmitt doar seu próprio sangue para salvar o paciente. Nessa perspectiva, é lamentável que, caso Levi fosse doar sangue no Brasil, seu sangue seria desprezado, pelo simples fato de ele ter tido relações sexuais com outro homem, seu parceiro. Nesse viés, faz-se importante a análise da arbitrariedade no descarte do sangue de homens homossexuais, bem como a violação dos direitos dos cidadãos que tal restrição implica.

Atualmente, existe uma proibição no ato de doar sangue, para homens que tiveram relações sexuais com outros homens nos últimos 12 meses, uma limitação extremamente arbitrária que rotula os homossexuais como promíscuos e imprudentes, ao assumir que eles possuem maior risco de portar doenças sexualmente transmissíveis, quando essa preocupação deve ser direcionada a quaisquer formas de sexo desprotegido. Assim, torna-se pertinente uma frase do filósofo francês Voltaire: “Preconceito é opinião sem conhecimento”. Dessa forma, é possível afirmar que a supracitada restrição imposta a indivíduos homossexuais é fruto de preconceito, causado pela ignorância da sociedade que condena toda uma comunidade sem razão, quando a precaução relacionada a doenças sexualmente transmissíveis tinha que ser igual com qualquer doador sexualmente ativo.

Nesse cenário, é importante observar os efeitos do descarte do sangue oferecido por homens que mantêm relações sexuais com outros homens para o corpo social, no Brasil, um país em que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, apenas cerca 1,6% dos cidadãos doa sangue, e toda doação devia ser bem vinda, com os devidos cuidados. Nesse sentido, pode-se levar em conta que, de acordo com o filósofo inglês John Locke, é dever do estado garantir os direitos e o bem-estar da população. Dito isso, é certo que o estado viola os direitos tanto daqueles em necessidade de sangue, em risco de perder sua vida em decorrência da falta desse, quanto daqueles que têm sua doação vetada, pois são impedidos de realizar um ato de solidariedade, representando mais uma limitação imposta a esse grupo, dentre muitas outras, que representam o significado de ser homossexual no Brasil.

Logo, pode-se concluir que a discriminação contra homossexuais existe mesmo quando eles querem fazer um ato de puro altruísmo, que é a doação de sangue, e é imperioso que isso seja mitigado. Para tal, esferas do poder político brasileiro, como o legislativo e o executivo, devem, por meio da criação de leis, anular o instrumento da discriminação e direcionar a preocupação tangente a DSTs ao sexo desprotegido, não aos homossexuais. Desse modo, essa ação objetiva maior dispoibilidade de sangue para os necessitados e diminuir o preconceito sofrido por  aqueles que são impedidos de doar sangue.