Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 08/01/2025

Na década de 1980, o Brasil sofreu a perda do músico Renato Russo, para o vírus do HIV, durante uma crise global que ceifou milhões de vidas, em especial de homossexuais. Atualmente, porém, mesmo com o avanço da medicina e controle da doença, os preconceitos enfrentados por gays na doação de sangue reforçam os estigmas sociais e comprometem o bom funcionamento do SUS, afetando negativamente toda a população.

Diante desse cenário, a exclusão sistemática de homens gays da categoria de pessoas elegíveis para doar sangue reforça estereótipos negativos e promove a marginalização desse grupo. Segundo a Constituição a Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Sob esse viés, é incoerente impedir homossexuais de doar sangue tendo em vista as diversas formas de transmissão do vírus, incluindo práticas heterossexuais. Desse modo, dificultar a doação de sangue por gays é um atentado à dignidade humanas, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, e confere um retrocesso para à sociedade.

Além disso, a dificuldade imposta traz consequências graves para o sistema público de saúde devido à severa diminuição no sangue disponível nos hemocentros. Segundo a OMS, para cada bolsa de sangue doada, cerca de 450 mililitros, até quatro pessoas podem ser salvas. Sob essa ótica os milhões de litros que deixam de ser arrecadados devido a medida representam um potencial incalculável de perda de vidas brasileiras.

Portanto, com o fito de combater os estigmas sociais e elevar a quantidade de sangue arrecadado, o Ministério da Saúde, na sua condição de coordenador das ações relacionadas à doação de sangue no Brasil deve ampliar campanhas educativas nas mídias sociais e escolas promovendo a conscientização sobre igualdade de direitos e a segurança dos métodos de triagem no processo de doação de sangue.