Preconceitos enfrentados pelos homossexuais na doação de sangue

Enviada em 12/01/2025

Na década de 1980, o Brasil sofreu a perda do músico Renato Russo, para o vírus do HIV, durante uma crise global que ceifou milhões de vidas, em especial de homossexuais. Atualmente, porém, mesmo com o avanço da medicina e controle da doença, os preconceitos enfrentados por gays na doação de sangue reforçam os estigmas sociais e comprometem o bom funcionamento do SUS, afetando negativamente toda a população.

Diante desse cenário, a exclusão sistemática de homens gays da categoria de pessoas elegíveis para doar sangue reforça estereótipos negativos e promove a marginalização desse grupo. Segundo o Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS 2023, quase 50% das transmissões em homens, ocorreram em heterossexuais. Sob esse viés, é incoerente impedir homossexuais de doar sangue, tendo em vista as diversas formas de transmissão da doença, incluindo práticas heterossexuais. Desse modo, tais medidas contribuem para a manutenção de um estigma histórico, dificultando a plena integração dos homens gays à sociedade como cidadão iguais em direitos e deveres.

Além disso, a dificuldade imposta traz severas consequências práticas para o sistema público de saúde. Segundo a OMS, para cada bolsa de sangue doada, cerca de 450 mililitros, até quatro pessoas podem ser salvas. Sob essa ótica, os milhões de litros que deixam de ser arrecadados devido a medida representam um potencial de perda incalculável de vidas brasileiras. Logo, a inclusão de pessoas previamente discriminadas pode aumentar significativamente os níveis de doação, atendendo melhor as necessidades do sistema de saúde.

Portanto, com o fito de combater os estigmas sociais e elevar a quantidade de sangue arrecadado, o Ministério da Saúde, na sua condição de coordenador das ações relacionadas à doação de sangue no Brasil deve substituir a abordagem discriminatória atual por uma política de triagem com base em comportamentos individuais de risco, como a prática de sexo desprotegido, independentemente da orientação sexual. Além disso é preciso que invista em campanha públicas de conscientização para descontruir preconceitos associados à doação de sangue.