Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 04/09/2021
Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente. Assim, para que essa entidade se mantenha harmônica é medular que o bem-estar dos indivíduos seja posto em pauta. Partindo desse pressuposto, nota-se que, no âmbito esportivo, a pressão social sobre os atletas torna-se um problema na medida em que provoca danos à saúde mental destes. Concomitantemente, a indolência dos governos na prestação de apoio psicológico a esses indivíduos maximiza tal óbice.
Precipuamente, é importante destacar o papel da sociedade na formação do ser atleta. Nesse contexto, entende-se que, em meio à prática profissional do esporte, a busca pela vitória não se dá, em demasia, segundo ambições pessoais, mas para o deleite dos torcedores. Isto posto, fica claro que as expectativas sociais no que diz respeito à obtenção de títulos esportivos, ao idealizar os esportistas como organismos infalíveis, pode acabar por comprometer a saúde mental destes.
Faz-se mister, ainda, salientar a imperícia do Estado como agravante dessa mazela. Nesse viés, percebe-se que a ocorrência de casos de doenças psicológicas relacionadas à prática esportiva, na realidade dos atletas, é uma afronta ao artigo 6 da Carta Magna de 1988, que garante, entre outros direitos, a saúde. Dado o exposto, fica evidenciado que a carência de programas sociais que objetivem, a coibição desses males aflige o que, segundo o iluminista John Locke, são direitos inalienáveis do homem, a vida e a liberdade.
Frente a tal problemática, urge, pois, que o Ministério da Saúde utilize o poder midiático de propagação de informações para promover campanhas publicitárias na TV, no rádio e na internet, que dialoguem com as torcidas sobre boas práticas com relação aos seus atletas. Destarte, pode-se fazer compreender o caráter humano dos profissionais do esporte e mitigar o surgimento de doenças emocionais nos mesmos. Por meio de tais ações, possibilita-se que a sociedade, de fato, funcione como o “corpo biológico” descrito por Durkheim.