Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 11/08/2021
De acordo com o teórico britânico David Harvey, a globalização fomentou o chamado “encolhimento do mundo”, isso é, o aumento das interações sociais a distância devido as novas tecnologias. Entretanto, com o aumento das relações de convívio, percebe-se problemas que não eram tão aparentes antes, sobretudo à questão da pernicisiodade mental associada à pressão que atletas sofrem — um tópico alarmante e que, se negligenciado, possui um caráter nocivo à salubridade deles. Assim, é possível afirmar que não só o descaso com a questão psicológica humana, mas também a falta da percepção de que enfermidades podem advir com situações do tipo fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.
Inicialmente, é necessário dizer que, por muitos anos, a atenção para com a questão mental foi deixada de lado na sociedade . Porém, tal indiferença à saúde mental por um grande decurso de tempo provoca significativos problemas, como, por exemplo, de acordo com a World Health Organization, Brasil se encontra na posição de país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. A partir desse aspecto, fica notável a necessidade de se discutir tal temática, a qual não pode ser negligenciada nem em âmbito esportivo ou qualquer outro setor — afinal, a definição básica de ser humano é relacionada à racionalidade , e não à psicose advinda de saturações cotidianas.
Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão biológica, a qual associa fortemente influências externas como precursoras de outras doenças. Por exemplo, nos livros de biologia, fala-se muito da relação entre estresse e produção de corticoides, um tipo de hormônio imunodepressor, e,além disso, distúrbios cognitivos oriundos da constância de adversidades necessárias a se transpor. A priori, é inadmissível que se trabalhe a discussão em um sentido restrito à deleteriedades mentais, mas sim da sua interferência em todo o metabolismo humano — aliás, os esportes são fontes de entretenimento, portanto, os competidores não devem ser as vítimas, mas sim os protagonistas do prazer social.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino e saúde, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca não só da importância do bem estar mental, mas também de ações que são dignas de repreensão para que a população e até mesmo as equipes atléticas adotem uma postura melhor. Espera-se, com tudo isso, não apenas uma melhoria significativa do padrão esportivo, mas também da conduta da sociedade em geral.