Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 16/08/2021

Para o filósofo grego Tales de Mileto, " o corpo humano é o instrumento da alma na busca pela felicidade". Sob tal ótica, torna-se notório o corrompimento desta máxima pelo viés consumista da modernidade, visto que a ausência da discussão sobre saúde mental em âmbito desportivo foi sobreposta por relações econômicas. Indubitavelmente, este fato se deu pelo interesse de grandes companhias financeiras em transformar o esporte em uma busca incessante pelo lucro. Dito isso, surge a necessidade da procura de soluções para tal problemática.

Em primeira análise, destaca-se o perigo social da transformação das práticas desportivas em um instrumento comercial. Nessa seara, o filosófo alemão Karl Marx afirma que “o lazer humano jamais pode ser gerido por forças do capital”. Isto, porém, é praticado veementemnete nos dias que correm, ao passo que os atletas respondem aos interesses das companhias que os patrocinam. Sendo assim, os praticantes que  não atingem os resultados esperados pelos alocadores dos recursos recebem uma cobrança exacerbada por estes em prol de melhores performances. Conforme estas exigências se sucedem, a saúde mental dos esportistas é afetada gradualmente por uma visão utópica de eficiência.

Em segunda análise, ressalta-se a pouca visibilidade e atenção das autoridades nacionais ao apoio psicológico dos esportistas brasileiros. Consoante dados da Folha de São Paulo (2019), aproximadamente setenta e cinco por cento dos desportistas do país não possuem em sua rotina acompanhamento dos fenômenos mentais por um profissional. Notoriamente, esse fator representa uma grave falha do sistema de apoio à prática esportiva do páis, posto que a saúde de ativos humanos locais não é acompanhada. Dito isso, compreende-se que é dever das autoridades competentes a reversão desse cenário.

Destarte, é mister a resolução de tal problemática. Para isso, urge ao Ministério da Cidadania, por meio de verbas orçamentárias da Secretaria de Esporte, o direcionamento de recursos financeiros à diversas modalidades esportivas do país, objetivando ocupar os espaços tomados por patrocinadores privados abusivos. Além disso, estes recursos devem ser aplicados no monitoramento do bem-estar mental dos atletas com o fim de reduzir danos à sua “psiqué” e auxiliá-los em busca atingível de performance. Assim sendo, a máxima de Mileto será tangível em solo tupiniquim.