Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 14/08/2021
Segundo Ana Volpe, psicanalista brasileira formada pela USP, a primeira lição a ser ensinada para um atleta é de que ele é humano, que tem escolhas. No contexto nacional atual, esportistas são tratados como seres perfeitos, gerando um fardo desnecessário sobre as costas dos mesmos, dificultando, deste modo, a humanização de um atleta. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Por um lado, federações esportivas investem cada vez mais em acompanhamento psicológico para seus atletas, a fim de garantirem estabilidade emocional necessária durante os jogos. Por outro, para o nível de expectativa que é posto em cima de alguns esportistas, não existe preparação psicológica suficiente que diminuirá a pressão que é colocada sobre ele. Simone Biles, ginasta norte-americana, decidiu abandonar as provas das Olímpiadas de Tóquio para cuidar da própria saúde mental. O ocorrido com Biles exemplifica o que esse peso causa com um atleta de nível olímpico. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
É de suma importância que, além de competitividade também exista diversão enquanto se pratica o esporte. Cada vez mais vemos atletas mais novos participando de jogos olímpicos, nas Olímpiadas de Tóquio, como referência, tinhamos a skatista Rayssa Leal, de apenas 13 anos, reforçando a necessidade do diálogo sobre temas relativos á estabilidade emocional desde pequenos, Ademais, além de Simone Biles, outros esportistas de alto rendimento como a tenista japonesa Naomi Osaka e o nadador americano Michael Phelps, já declararam sofrer com problemas relacionados á saúde mental. As habilidades físicas fora do normal possuídas pelos atletas fazem com que torcedores acreditem que eles são invulneráveis. Diante disso, nota-se a necessidade de resolver essa condição cada vez mais presente no meio esportivo.
Portanto, faz-se imprescindível que a mídia - instrumento de ampla abrangência - informe a sociedade a respeito da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, por meio de comerciais periódicos nas redes sociais e debates televisivos, a fim de formar cidadãos informados. Paralelamente, o Estado - principal promotor da harmonia social - deve promover a representatividade de atletas que passaram por problemas psicológicos nas artes, por intermédio de incentivos monetários para produzir obras sobre o tema, com o fato de amenizar o problema. Assim, o corpo civil será mais educado e a estabilidade emocional de atletas será uma realidade do Brasil e no mundo.