Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 13/08/2021

Promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, a desvalorização dos cuidados com a saúde mental impossibilita que parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Diante do exposto, cabe analisar os fatores que favorecem o chamado “burnout” precoce dos atletas em âmbito esportivo.

A saúde é o principal fator para o desenvolvimento de um páis. Sendo, atualmente, subdesenvolvido seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de saúde mental eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o reflexo deste contraste é claramente refletido na debilitada condição física e psíquica que os esportistas se encontram após serem submetidos à estresses excessivos na busca por um desempenho de excelência em competições. De acordo com a matéria feita pelo jornal Veja, “Outro atleta que, volta e meia, sofre com episódios de depressão é o nadador Michael Phelps, de 36 anos. Maior medalhista olímpico de todos os tempos – com 23 ouros, duas pratas e três bronzes –, o americano admitiu que, pouco depois dos Jogos de Londres 2012, chegou a pensar em suicídio”.

Vale, ainda, salientar a pressão dos patrocinadores visando a vitória como condição para a renovação do contrato como impulsionador do problema.  De acordo com Zymunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “Modernidade líquida” vivida no século XXI. Desta forma, é inadimissível acreditar que o acompanhamento psicológico ainda não faça parte da rotina de treinamento de grande parte dos atletas tendo a homeostase física e emocional como pilar de toda a trajetória da equipe esportiva.

Portanto, indubitavelmente, medidas devem ser tomadas. O Ministério da Comunicação, junto com a Secreta Espacial de Comunicação Social, deve através de propagandas valorizar os profissionais da área da saúde que cuidam da saúde mental introduzindo na mensagem a importância desse trabalho para toda a população, trazendo em pauta os atletas, com a intenção de estimular a discussão e busca por esses cuidados. Além disso, o Cômite Olímpico do Brasil deveria através de um protocolo divulgar a obrigatoriedade do acompanhamento psíquico como parte do processo durante todo o preparo para as competições até os resultados oficiais dando um amparo íntegro para saúde do competivor. Desta forma o Brasil seria capaz de solucionar ou pelo menos diminuir a quantidade de quadros depressivos e de burnout registrados em âmbito esportivo.