Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 16/08/2021
Um acontecimento marcante das Olimpíadas de Tóquio 2020 foi a desistência da atleta norte-americana Simone Biles como forma de cuidado com o seu bem-estar psicológico. Nesse viés, a saúde mental dos esportistas é uma problemática a ser resolvida, motivada pelo medo de não suprir as expectativas sobre eles e pela crença de que não serão capazes de subir ao pódio. Portanto, são necessárias medidas da rede de atendimento ao esporte e da mídia para colocar em prática a discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, objetivando reduzir os prejuízos desse impasse. Em primeira análise, vale ressaltar que o receio de não suprir as expectativas é um fator relevante desse problema. O nadador brasileiro César Cielo precisou ser encorajado por sua mãe para participar das Olimpíadas de Pequim 2008 – na qual foi medalhista de ouro – pois tinha medo de não estar apto para competir. Essa situação evidencia que a preparação de um atleta vai muito além da física, tornando indubitável a importância de trabalhar a mente dos participantes para alcançarem suas metas de forma saudável. Para isso, é necessário que a equipe de atendimento ao esporte - formada por médicos, treinadores e profissionais de saúde mental - desenvolva atividades que tratem sobre a relevância da saúde mental no ambiente esportivo de maneira descontraída. Ademais, é elementar abordar o prejuízo da ausência de discussão sobre saúde mental devido ao pensamento de muitos esportistas que acreditam não ter capacidade de chegar ao pódio. Nessa esfera, assim como Cielo, a ginasta brasileira Rebeca Andrade, ganhadora de duas medalhas - prata e ouro - nas Olimpíadas de Tóquio 2020, necessitou de um incentivo da sua mãe para insistir em sua carreira olímpica. Quando ainda era criança, Rebeca lesionou o joelho e queria desistir, mas com o apoio da sua mãe e do seu treinador, ela seguiu em frente. Nesse contexto, percebe-se que muitas vezes o atleta se esmorece frente às suas lesões, pensando que não terão uma boa performance e nunca serão premiados. Por isso, cabe a mídia promover campanhas que abordem essa temática, a fim de motivar os atletas a confiarem no seu potencial. Logo, pode-se inferir que o medo de não suprir as expectativas e a crença de que não é capaz de conquistar uma premiação são fatores expressivos desse impasse e carecem de soluções. Para tanto, compete a equipe esportiva, monitorar o comportamento de seus atletas, por meio de sessões semanais que abordem a temática saúde mental, evidenciando a imprescindibilidade de se priorizar o bem-estar mental, com o efeito de reduzir o risco de lesões e má performance, por exemplo. Além disso, a mídia, por intermédio das redes sociais, deverá propagar campanhas de cunho educativo, a fim de alcançar todos os públicos e dissertar sobre a relevância da abordagem da saúde mental na vida dos atletas, com o intuito de promover mais qualidade de vida aos esportistas e reduzir o número de quadros de doenças psicológicas no ambiente esportivo. Então, atitudes como a de Simone Biles serão vistas como um ato de coragem.