Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 15/08/2021

A questão da saúde mental é um assunto que ganhou visibilidade entre as pessoas nos últimos anos. Com isso, não seria diferente dentro do mundo esportivo, no qual apareceu relatos de esportistas que revelaram problemas psicológicos, sensibilizando o mundo. Porém, é importante debater quais são as causas que levam a esses problemas. É sabido que há uma forte cultura da competição dentro do mundo dos esportes. Além disso, os achincalhamentos que eles ouvem quando perdem a competição também contribuem para o desenvolvimento de problemas psicológicos. Portanto, é importante debater uma forma de transformar os esportes em algo leve a fim de diminuir todo esse fardo.

Em primeira análise, é fulcral abordar a cultura da competição que domina o âmbito esportivo. Apesar de o esporte ser uma competição, isso não significa que a modalidade deva ser encarada com seriedade desmedida. Pois, ao terem um treinamento focado na vitória custe o que custar, os competidores sobrecarregam-se demasiadamente. A exemplo disso há o caso fictício de Bia, da novela Salve-se Quem Puder, da TV Globo. Na história, o treinador da ginasta a pressionou tanto a competir que a fez ter uma crise de ansiedade no dia do campeonato, o que agravou o problema cardíaco que ela tinha. Tudo isso para alimentar a equipe com medalhas. É importante, assim, que o esporte comece a ser encarado mais como lazer e descontração do que como competição ferrenha e selvagem.

Além disso,  a opinião pública não perdoa o competidor que perde as competições. E isso, muitas vezes, faz com que eles cobrem-se ainda mais. Tudo isso cria um ciclo sem fim de cobranças internas e externas. Se ganham, são aplaudidos; se perdem, são achincalhados nas redes sociais e sentem-se ainda piores. No entanto, essa cultura é pregada em muitos lugares. A exemplo tem o caso do jogador Marcus Rashford, que foi alvo de ataques racistas pela própria torcida de sua seleção, a Inglesa, após ele perder o pênalti na final da Eurocopa. É nítido, para tanto, que a ausência de discussão sobre saúde mental no mundo dos esportes afeta até a forma com que a torcida comporta-se diante das derrotas. Sendo assim, é preciso que haja uma política urgente de educação emocional direcionada a todos.

Diante dos fatos apresentados, fica nítida a necessidade de que os diretórios esportivos, junto a federações nacionais e internacionais dos mais diversos esportes, revejam, por meio de uma reforma no preparo psicológico dos atletas, o modelo de competições apresentados atualmente com vistas a suavizar as disputas e transformar os embates esportivos em momentos de comunhão entre os povos, não de pressão psicológica por medalhas, Ademais, é preciso que o Ministério da Educação, por meio da inserção da disciplina de educação emocional, invista no preparo de toda a população a fim de formar uma torcida mais empática e responsável. Só assim a sociedade contornará esse problema.