Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 16/08/2021

´´A Noite Estrelada´´ é uma obra do pintor Van Gogh, a qual redimensiona uma paisagem vista pelo artista em seu quarto. Com isso, Van Gogh distorce o céu do cenário e o tinge com tons escuros de azul, duas tentativas utilizadas para simbolizar a tristeza e melancolia. Logo, respeitante ao entrecho artístico, a saúde mental já foi mencionada nos quadros e, agora, é alarmada no esporte, posto que dois fatos acentuam isso: a exclusão social e o uso restritamente olímpico das práticas esportivas.

A princípio, a segregação entre grupos na prática de alguma atividade física provoca efeitos negativos na saúde mental. Tal acepção orquestra com o termo ´´Homo sacer´´, do filósofo Giorgio Agamben, o qual identifica a sacralidade das pessoas e acentua a perda gradativa desse adjetivo quando os indivíduos perdem seus direitos básicos. Nesse viés, a exclusão no esporte reduz qualquer dignidade humana e reproduz o efeito de rejeição no psicológico dos jogadores. Sobre isso, tais fatores somente existem graças ao caráter seletivo e pragmático da atividade física, a qual contempla apenas as aptidões físicas e não incentiva outras modalidades psicomotoras. Por consequência, a criação silenciosa de rótulos nas práticas esportivas gera a exclusão e a degradação do psicplógico humano.

Outrossim, o uso restritamente olímpico também adorna a realidade discutiva sobre a saúde mental. Essa verdade dialoga com o surgimento dos jogos Paraolímpicos, que surgiram devido à tentativa de inserir os veteranos da 2º Guerra Mundial em atividades esportivas, uma ideia que privilegiou os deficientes e outras pessoas com transtornos psicológicos pós-guerra. Nesse contexto, a realidade anterior é mais admirável do que a atual, pois a singularidade competitiva do esporte omite a discussão sobre a saúde mental e acentua somente o treino físico. Em vista disso, o problema citado decai na omissão de assuntos fulcrais no âmbito esportivo, tais como: procrastinação, autoestima e disciplina, isto é, os atletas são qualificados para conquista, mas não são subsidiados psicologicamente. Em suma, a restrita competitividade  hipertrofia as análises sobre saúde mental na área esportiva.

Portanto, compete aos agentes sociais somar o cuidado psicológico com as práticas esportivas. Para isso, as prefeituras locais devem publicitar interclasses nos municípios, os quais insiram qualquer jogador, mediante verbas estatais, pois contemplarão a inclusão, a fim de harmonizar o cenário esportivo nas cidades. Em direção ao Ministério do Esporte, propõe-se a projeção de ´´podcasts´´ e plataformas inteligentes, que tragam acompanhamento psicológico para os atletas, por meio das mídias, posto que qualificará a saúde mental dos indivíduos, com fins na revitalização discutiva sobre esse assunto. Sem isso, ´´A Noite Estrelada´´ ainda será o mesmo cenário que pintará o psicológico de tantos jogadores.