Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 15/08/2021
O livro " Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, fala sobre a responsabilidade de ter olhos quando os outros já os perderam, fazendo uma reflexão sobre a cegueira moral, cultural e ética nas sociedades. Não distante da obra, hodiernamente, pode-se fazer uma analogia entre a cegueira da sociedade perante os prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo. Dessa maneira, é fundamental analisar a problemática que tem a ineficiência estatal e o silenciamento como principais causas.
Em primeiro lugar, cabe abordar a triste insuficiência do Governo. Para Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população. No entanto, diferentemente do pensamento hobbiano, o poder público mostra-se ineficaz em sua responsabilidade, uma vez que os atletas, que são responsáveis por representar seus países em competições mundiais, não tem acesso a um tratamento psicológico desde o início de suas carreiras. E da mesma maneira que os treinamentos intensivos são contínuos, o cuidado com a saúde mental também deveria ser. Ademais, apesar da prática esportiva ser benéfica para a saúde mental, a pressão exercida sobre os competidores, quando não atrelada a um cuidado psíquico, pode ser totalmente prejudicial não só para a indivíduo, como para a nação que deixa de ser representada em alguma modalidade. Sendo assim, é mister que esse fator não se perpetue.
Outrossim, a falta de debate é um entrave nesse cenário. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade e atuar sobre ela para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na questão da saúde mental no âmbito esportivo, visto que pouco se fala nas mídias sociais de massa, gerando a desinformação na maioira da população. Simultanêo a isso, inclu-se os jogadores, os quais podem, de maneira inconsciente, ignorar sinais e sintomas de doenças mentais características de pressão e estresse, como a Síndrome de Burnout, por exemplo. Logo, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Em síntese, é fulcral que medidas sejam tomadas com intuito de mitigar os prejuízos causados pelo problema. Para isso, o Estado, deve, por meio de projeto de leis, incluir polos de terapia psicológica nos centros de capacitação esportiva e tornar de caráter obrigatório ao atleta a frequência nas consultas terapêuticas, correndo o risco de ser banido das competições quando não cumprir com essa exigência, para que os esportistas tenham um preparo adequado para enfrentar os obstáculos da carreira. Deve, ainda, por meio de destinação de verbas, promover campanhas publicitárias nas redes sociais sobre a importância do cuidado com a saúde mental no âmbito esportivo, para que os competidores tornem-se inteirados do assunto. Dessa forma, a cegueira será apenas parte do livro.