Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 16/08/2021
“Tênis de mesa, para mim, é como uma Guerra Mental, igual jogar xadrez enquanto corre 100 metros. Considero esse esporte 90% mental e 10% de técnica.” disse o mesatenista Hugo Calderano, durante sua participação nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Esse depoimento reforça a importância do treinamento mental, já que é muito exigido em algumas modalidades, para posteriormente dar sequência ao trabalho com a performance. Todavia, as questões sobre saúde mental ainda são um tabu no âmbito esportivo e a ausência dessa discussão pode causar complicações para os atletas.
Segundo a psicóloga Katia Rubo, coordenadora do Grupo de Estudos Olímpicos (GEO) da USP, o atleta é um ser humano como outro qualquer, a única diferença é que ele tem habilidades físicas fora do normal. À vista disso, o torcedor tende a acreditar que o atleta não tem sentimentos, dores, medos, transtornos mentais e inseguranças, jogando sobre eles uma sufocante responsabilidade de resultado e desempenho e que quando não alcançada, são renegados. Por essa razão, o preparo mental é tão importante, ele pode ensinar maneiras de como enfrentar pressões e questões psicológicas que atrapalham na carreira do atleta, já a ausência dessa discussão pode inibir seu desempenho, não só nas competições como nos treinamentos.
Além do mais, quem abriu as discussões sobre saúde mental em Tóquio 2020, foi Simone Biles, um dos principais nomes da ginástica na atualidade, após sua desistência de disputar a final individual de ginástica artística. Segundo ela, era necessário se concentrar na sua saúde mental para não pôr em risco seu bem-estar e nem seu corpo. Ao mesmo tempo em que existem países que são referências em saúde mental, existem outros que não, como é o caso de Moçambique. Por conta da pobreza extrema que o país vive, é quase nulo os trabalhos realizados quanto à saúde mental dos atletas, um dos fatores que pode explicar o porquê da nação não ter ganho nenhuma medalha na última Olimpíada. Dado o exposto, é evidente que para cuidar da saúde e performance de um atleta, também é necessário ajudá-lo quanto a sua parte mental, mas para que isso aconteça é preciso que o tabu sobre saúde mental no âmbito esportivo seja quebrado. Portanto, cabe ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro) criar áreas de psicologia, assim como as de preparação física, nos Centros de Treinamento, e estas devem ter psicólogos do esporte preparados para dar suporte aos atletas durante toda sua jornada. Ademais, cabe ao Ministério do Esporte junto ao Ministério da Saúde, investirem na criação de campanhas que incentivem os esportitas a recorrerem à ajuda psicológica quando necessário, visto que o treinamento mental também é essencial para uma carreira, dessa forma diminuindo os prejuízos causados pela ausência da discussão sobre saúde no âmbito esportivo