Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 16/08/2021
A saúde mental no âmbito esportivo é um assunto que sempre foi uma realidade, mas nunca foi discutido abertamente até as Olimpíadas de Tóquio, onde a decisão de uma ginasta dos Estados Unidos chocou o mundo. Apesar de transtornos mentais terem sido presentes ao longo da história do esporte, a decisão da atleta pegou todos de surpresa pelo fato de nunca ter sido considerado que alguém desistisse de provas olímpicas por questões psicológicas. Entretanto, ela não é a única que sofre com a pressão sobre os atletas, há outros casos que já são do conhecimento público.
Simone Biles, que carregava em seu collant o símbolo de uma cabra para representar a “Melhor de todos os tempos”, desistiu de competir em provas olímpicas para poder cuidar de sua saúde mental. Quando houve essa declaração por parte da ginasta, o mundo começou a entender que essa poderia ser a realidade de outros esportistas de alto rendimento e a discussão sobre a saúde mental no âmbito esportivo foi levantada. Em outro momento, as pessoas conheceram a história do nadador norte americano Michael Phelps, que já havia declarado sofrer de depressão e ansiedade e inclusive cogitou o suicídio pouco antes dos Jogos de Londres, em 2012.
Desse modo, esses casos são reais pelo fato de não haver uma base psicológica eficaz e bem consolidada para prestar apoio a essas pessoas. Quando se é um atleta de alto rendimento e bastante conhecido, a tendência é que as pessoas se esqueçam que esses esportistas não são apenas um meio para trazer títulos e medalhas a seus países, mas sim seres humanos que sofrem e sentem e que também precisam de cuidado e apoio. O problema é que no mundo esportivo, o apoio psicológico que lhes é oferecido muitas vezes é um tratamento de contenção de danos e não preventivo, ou seja, não previnem que aconteçam esses episódios depressivos decorrentes de uma pressão social de dever para com seu país ou equipe, apenas tratam-no para que no final alcancem os objetivos iniciais.
Sendo assim, conclui-se que não é viável que somente haja um tratamento após esses acontecimentos, mas sim que exista uma prevenção dentro das equipes, um acompanhamento aproximado do técnico, uma base psicológica profissional homogênea, que mostre a esses atletas que eles têm o poder de escolha e que devem colocar a sua sanidade em primeiro lugar. Além disso, é válido que os comitês organizadores das grandes competições avaliem psicologicamente os competidores e constatem que estes estão em plenas condições de competirem, saudáveis para exercer a sua função na competição sem prejudicar a si mesmo.