Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 19/08/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) prevê a todos os indivíduos o direto à saúde. No contexto esportivo, todavia, esse legado não é efetivados aos atletas, devido à falta de discussão sobre saúde mental. Esse cenário não só denota prejuízo ao bem-estar, como também fomenta a atuação mais incisiva da sociedade civil para transformar essa realidade. Tal problemática, em suma, deve-se ao estigma associado à doença mental, bem como à dinâmica econômica.
Em uma primeira análise, observa-se que a falta de conhecimento da população sobre patologia mental corrobora a consolidação errônea de tal enfermidade como incapacidade do esportista. Esse quadro, por conseguinte, está em consonância com a teoria de “Fato Social”, desenvolvido pelo filósofo Émile Durkheim, pois estabele-se uma maneira coletiva de pensar sobre um assunto e, no plano esportivo a sociedade estipula que não ganhar medalha de ouro como inabilidade do indivíduo. Desse modo, essa pressão social de se destacar no mercado do esporte gera consequências mentais - como a depressão e a ansiedade - as quais são pouco abordadas no âmbito social, sobretudo, no escolar.
Ademais, em uma segunda análise, mais contundente, nota-se que o capitalismo contribui para a ausência de priorização da saúde mental, em razão da medalha ser símbolo de prestígio econômico. Assim, o bem-estar psíquico é colocado em segundo plano, pois a prioridade é a conquista do “status” de nação vencedora. Nessa pespectiva, verifica-se a “Reificação” do homem, conceito idealizado pelo sociólogo Karl Marx, pois o atleta é visto apenas como objeto para alcançar notoriedade de outras nações. Dessa maneira, a desumanização do esportista é reflexo da deficiência de amparo de um tratamento médico e psicológico em conjunto com a preparação física para evitar o agravamento das doenças mentais advinda da cobrança de alta performance.
Percebe-se, portanto, que o direito à saúde seja garantido conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), com o intuito de diminuir o prejuízo da ausência de discussão sobre saúde mental no esporte. De início, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas educacionais, promover atividades didáticas, desde o ensino fundamental, por meio de aulas interdisciplinares de Sociologia e de Psicologia, as quais descontruam o “Fato Social” associado ao estigma das doenças mentais como sinônimo de incapacidade no âmbito esportivo. Paralelo a isso, o Ministério da Cidadania deve auxiliar financeiramente a carreira de todos os esportistas, mediante bolsa atleta, que tenha um acompanhamento de uma equipe de psicólogos e de médicos, com o objetivo de desincorporar, de maneira paulatina, a “Reificação” de tais indivíduos e, então, humanizar e prezar pela saúde mental deles.