Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 25/08/2021

O filme estadunidense “Full Out” retrata a vida de Ariana Berlin e sua trajetória como ginasta artística em busca da vitória do campeonato mundial e da aceitação na melhor faculdade de ginástica do país. Com a incessante busca por seus sonhos, a protagonista vive um cotidiano de auto-sabotagem com treinos excessivos, cobrança irregular e falta de educação emocional para lidar com a frustração. Não distante da cinematografia, a realidade de Ariana se assemelha ao cotidiano de diversos competidores que, constantemente, enfrentam a incisiva pressão em busca do primeiro lugar no pódio, entretanto, sem perceber como o estresse e a ansiedade podem prejudica-los. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a falta de informação e o silenciamento.

Dessa forma, em primeira análise, a desinformação é um desafio presente no problema. Djamila Ribeiro ressalta que “não podemos combater o que não tem nome”. Porém, grande parte da população desconhece a opressão advinda da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, já que muitos dos próprios atletas não compreendem a situação em sua complexidade, distantes do auto-cuidado psicológico em suas vidas profissionais e diversas vezes, inclusive, sendo aconselhados a tomar a pressão – própria e do público - a frustração e o desespero pela vitória como fatores necessários à conclusão da prática. Assim, é necessário que o problema seja conhecido para que seja combatido, como defende a estudiosa.

Em paralelo, a falta de discussão é um entrave no que tange ao problema. Segundo Nadejda Mandelstam, “o silêncio é o verdadeiro crime contra a humanidade”. Tal crime está instaurado na ausência de debates quanto à importância do cuidado mental em conjunto com a prática de esportes, visto que, com a voz dos protagonistas da situação sendo caladas, os atletas não possuem identificação entre si, expostos a crer que são os únicos a enfrentar tais problemas psicológicos e que, por representarem uma situação isolada, devem esquecer a questão. Sendo assim, urge tirar a questão da invisibilidade. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.

Para isso, a Netflix deve criar um documentário que retrate situações difíceis enfrentadas por grandes atletas – como grandes quedas durante eventos esportivos importantes – e a forma como o trabalho psicológico foi essencial para a superação da situação, a fim de reverter o silenciamento que impera. Tal ação pode, ainda, contar com o apoio de propagandas midiáticas que incentivem a busca dos atletas por apoio psicológico especializado. Paralelamente, é preciso intervir sobre a falta de informação presente no problema. Consequentemente, menos atletas estarão expostos a problemas iguais aos de Ariana Berlin.