Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 16/08/2021

Espairecendo um pouco da saúde visível aos olhos

É um fato que, ainda em 2021, o assunto do bem estar emocional permanece um tabu. Quem dirá então no meio olímpico, dos esportes, em que os atletas são vistos como indestrutíveis e infalíveis. Mas, por trás das câmeras, dos estádios e raias olímpicas, a realidade é bem diferente dessa imagem estipulada, que muito provavelmente só foi construída por causa do estigma social que todos têm de doenças psicológicas e da grandiosidade dos esportistas mostrada na televisão, como se estivessem bem sempre.

Em virtude do preconceito existente sobre saúde mental, falta de debates e discussões sobre isso e do medo que se tem de ser criticado por expor uma situação de fragilidade emocional, as pessoas tendem a se fecharem e não procurarem ajuda, e para uma figura pública, mais especialmente dentro da categoria esportiva, não é diferente e sim ainda mais angustiante, pois sente-se a necessidade de zelar pela reputação e imagem de um ser invencível e até inumano, e a crítica ferrenha que cai sobre ela não é somente atordoante como também pode afetar sua carreira negativamente e piorar ainda mais sua vulnerabilidade psíquica.

A menos que o indivíduo nessa situação possua coragem suficiente, como Simone Biles, atleta e medalhista que se ausentou das olimpíadas por sofrer de “twisties”, uma espécie de problema mental que faz com que a ginasta perca a consciência plena do espaço e do movimento, ele pode ter um desempenho muito pior do que o normal, se sentirá esgotado e insuficiente por não atender às expectativas tanto dele mesmo quanto do público em geral, vai se sentir cada vez mais preso nesse ciclo vicioso e isso fará com que ele piore ainda mais, desencadeando outros distúrbios mais graves e até mesmo levá-lo a cometer suicídio.

Em síntese, para que seja possível fazer com que os esportistas fiquem mais à vontade para mostrar que não estão bem, é preciso que os comitês organizadores de eventos esportivos como as olimpíadas normalizem a instabilidade psicológica dos jogadores através de propagandas, difundindo o lema “tudo bem não estar bem” e fazendo debates sobre o assunto, e os tratem constantemente, dando importância à assistência psicológica, desenvolvendo equipes de psicólogos e psiquiatras assim como já existem as de treinadores, pois o preparo mental é tão importante quanto o físico.